A vida que acaba sem dar aviso

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Número de suicídios deve receber atenção especial da Saúde Pública.

Em sabia preocupação, editorialmente, jornais, emissoras de rádio e de televisão evitam divulgar suicídios. Há receio de que isto acabe incentivando outros depressivos, adotarem o mesmo comportamento. Esta é a linha da Gazeta de Bebedouro, mas que será interrompida nesta edição devido, ao preocupante aumento de casos.
Desde o ano passado, em geral, jovens, sem apresentar qualquer sintoma que pudesse ser percebido por familiares e amigos, cometeram suicídio. O falecimento sem explicação deixa o rastro do sentimento de culpa e do vazio, com a suposta impressão de que poderíamos ter feito algo para evitar.
Nos últimos meses, dois servidores municipais cometeram suicídio. Por isto, será criado programa de assistência psicológica ao funcionalismo. Mas o ideal é pensar em elaborar serviço semelhante acessível à população.
Para isto é preciso que o Ministério da Saúde assuma posição mais atuante e faça valer uma política pública para a Saúde Mental. É preciso obrigar os convênios médicos a conceder mais consultas e contratar mais psiquiatras e psicólogos. Como não dá para prever quem pode tirar a própria vida, o único caminho é a prevenção. Como é prudente ir ao dentista duas vezes ao ano, as consultas e avaliações psicológicas deveriam ser também periódicas.
Mas também há atitudes que podem ser adotadas por cada um de nós. Com a proliferação da internet e das redes sociais, criou-se a impressão de que estamos cada vez mais ligados, porém, o que se percebe é mais solidão atrás dos teclados. Reuniões familiares e de amigos precisam ser mais frequentes, quando bate papos acontecem naturalmente.
O pior da depressão é que os afetados dificilmente pedem ajuda. Cabe a nós, cuidarmos uns dos outros, e sempre que possível, doar alegria, esperança e ânimo. Todos temos problemas, mas ninguém morre se não solucioná-los de imediato.

Publicado na edição nº 9671, dos dias 18 e 19 de março de 2014.

 

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