Não precisa ir a Seattle

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José Renato Nalini

Jeff Bezos, o homem mais rico do planeta, edificou a sede da Amazon em Seattle. E notou que a cidade não dispunha de verde. Em meio aos inúmeros edifícios que abrigam os “amazonians”, os milhares de funcionários da gigante da internet, fez três enormes globos de vidro, que abrigam réplica de florestas tropicais.

Mais de 400 espécies da flora mundial ocupam as esferas que levaram três anos para serem construídas. Abrigam orquídeas de baunilha, samambaias da Austrália, begônias da Bolívia e carnívoras da Ásia, além de uma árvore de cacau.

Os espaços se destinam a receber os funcionários para relaxar, fazer reuniões informais e praticar o “forest bathing”, ou banho de floresta. É algo que beneficia a higidez física e mental.

Há estudos que evidenciam rendimento maior quando as pessoas estão em áreas com plantas, vegetação e espaços naturais. Há uma cascata, peixes da Amazônia, um jardim vertical que chega até o quarto e último andar.

Há espaços para a realização de reuniões e uma figueira de dezesseis metros, chamada Rubi. Foi plantada em 1969 na Califórnia e transplantada após remoção e transporte por caminhão até à esfera onde hoje se encontra. Para tranquilizar os ambientalistas, a Amazon comunica que nenhuma planta foi coletada na natureza, mas em jardins botânicos, universidades e cultivadores particulares.

Quatro horticultores cuidam da vegetação e zelam por seu desenvolvimento saudável. O horticultor Sênior, Ron Gagliardo, afirma que “o mundo das plantas tem milhões de histórias para contar. O objetivo das spheres é ter gente parando para olhar de perto uma planta e aprendendo Algo novo”.

Os funcionários podem frequentar as esferas à vontade e, inclusive, trazer seus familiares. Há também visitas agendadas em dois fins de semana por mês.

Aqui no Brasil ainda há resquícios de cobertura vegetal autêntica, seja na Floresta Amazônica, seja na maltratada Serra do Mar. Se o Brasil soubesse trabalhar sua potencialidade turística e solucionasse o problema da violência, assim como da imprevisibilidade jurídica e da burocracia, talvez atraísse o mundo a visita-lo. Enquanto isso não acontece – e não há perspectivas de que venha a acontecer nas próximas décadas – quem se dispuser a apreciar aquilo que nesse período tende a desaparecer ainda conseguirá um contato com a natureza virgem. Mas corra, porque o fim está próximo.

Colaboração de José Renato Nalini,  Reitor da Uniregistral, docente, conferencista e autor de “Ética Ambiental”.