17 anos de muita vida

Wagner Zaparoli

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A coluna Ciências e Tecnologia está completando 17 anos neste fevereiro de 2019. E com muita paixão, pois a jornada que experimentamos e continuamos a experimentar permitiu-nos realizar inúmeras reflexões sobre a epopéia humana na Terra. Aliás, para sermos exatos, no Universo, pois há décadas, o homem deixou sua base nativa para alcançar novos horizontes na tentativa de entender sua origem e a origem de tudo à sua volta. Sobram questões e muitas dúvidas, mas taí a graça: temos muito que aprender! E nada melhor do que a verdade científica para nos ajudar a revelar os segredos do universo.
Colocando esses anos todos em perspectiva, entendo que o tema ciência não tem sido páreo para as fofocas das redes sociais, por exemplo, mas percebo que sem ela o ser humano jamais teria saído das cavernas e evoluído vertiginosamente no cenário natural. Claro que a evolução não se demonstra perfeita – com tanta inteligência ainda massacramos nossa própria espécie e destruímos o planeta – mas certamente conseguimos sobrepujar muitos mitos, trevas e escuridão que nos atormentaram ao longo de nossa existência.

O dilema genético
A engenharia genética se tornou uma das principais disciplinas dentro da comunidade científica, principalmente a partir da década de 1950 quando o norte-americano James Watson e o britânico Francis Crick descobriram a estrutura da molécula do DNA, a qual controla o desenvolvimento e funcionamento dos seres vivos.
Essa descoberta abriu as portas para um novo e importante mundo da ciência, principalmente no que tange ao conhecimento e entendimento de inúmeros males que costumam atingir e afligir a humanidade. Chegamos ao ponto de interferir no próprio genoma humano com o objetivo de criar pessoas imunes às doenças. Foi o caso que veio a público ao final de 2018, em que o pesquisador chinês He Jiankui alterou o DNA de embriões de duas irmãs gêmeas para que elas se tornassem imunes ao vírus HIV de seu pai biológico. Profundamente contestado pela comunidade científica, Jiankui justificou o procedimento afirmando que sua intenção era evitar o sofrimento das crianças que hoje vivem saudáveis com os pais.
A despeito do dilema ético que o evento deflagrou pelos quatro cantos do mundo, não se pode negar que, ao se confirmar a sua veracidade, ele passa a representar um marco científico da saúde mundial e uma esperança de que a edição genética de futuras gerações de seres humanos as torne imunes às doenças. Seria um novo ato da criação divina pelo homem?

Marte não pode esperar
Se por um lado conseguimos manter um olhar intimista para dentro do nosso próprio corpo, por outro o fazemos para o infinito sideral. Logo após a segunda guerra mundial, tanto Estados Unidos quanto União Soviética perpetraram uma grande corrida espacial, a qual levou o homem a desafios nunca antes tentado, como pisar a superfície da Lua ou viajar para além das cercanias do Sistema Solar.
Nessa corrida pelo desbravamento do Universo, Marte sempre esteve no caminho, seja pelo imaginário popular dos ETs de grandes cabeças, seja nas telas de monitoramento da Nasa, atestando a exploração da superfície do planeja vermelho pelos famosos jipes espaciais.
Em novembro último, Marte voltou a ser notícia de capa ao receber a sonda norte-america InSight, cujo objetivo é de fato obter um olhar mais intimista daquele planeta. A missão foi desenvolvida em três pilares científicos: identificar e entender os terremotos marcianos; cavar a superfície para conhecer a sua temperatura e o quanto é ativo; e, determinar o nível de oscilação em seu eixo principal. Todas essas ações vão ajudar a desvendar como o planeta rochoso se desenvolveu e como sua estrutura interna evoluiu ao longo do tempo.

A fofoca nunca vai morrer, nem a
ciência!
Se um dia a fofoca desaparecer da face da Terra, podem acreditar, será porque a humanidade também já o terá feito. Aliás, de acordo com Yuval Noah Harari em seu livro Uma Breve História da Humanidade, foi a fofoca um dos fatores determinantes da criação da humanidade como a conhecemos. E, vejam, enquanto a fofoca e a humanidade persistirem em sua batalha pela sobrevivência, as dúvidas e os questionamentos primitivos do Homo sapiens sobre as origens da vida e do universo também persistirão. Nesse ponto, havemos de garantir perenidade à ciência e à tecnologia. A primeira por nos trazer a luz da verdade; a segunda, por permitir a transformação dessa luz em solução aplicada aos nossos problemas.
E nós, aqui na simplicidade da coluna Ciências e Tecnologia, estaremos atentos à luz, aos problemas e às soluções vindouras, discutindo e informando, sempre da melhor maneira possível, o nosso querido leitor. Vida longa a todos!

(Colaboração de Wagner Zaparoli, doutor em ciências pela USP, professor universitário e consultor em tecnologia da informação).

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Publicado na edição 10362, 12 e 13 de fevereiro de 2019.