A formação para o mercado de trabalho: a trajetória do Colégio Técnico Estadual de Bebedouro

José Pedro Toniosso

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Vista aérea do “Colégio Técnico Industrial” no final da década de 1970, quando passou a ser denominado “Escola Estadual de 2º Grau Abílio Alves Marques”. Foto: acervo do autor

A fundação de um Colégio Técnico público em Bebedouro foi decorrente de intenso movimento realizado por professores e alunos do Ginásio Industrial Estadual Prof. Stélio Machado Loureiro, com apoio das autoridades locais. Com isso, em fevereiro de 1971, a cidade recebeu uma comissão de inspeção para finalizar o processo de instalação do Colégio, quando ficou definido que este funcionaria inicialmente com o curso de enfermagem. As aulas de cultura geral ocorreriam nas dependências do Ginásio Industrial e as aulas técnicas no Hospital Nossa Senhora Aparecida, ao lado da Santa Casa.

O curso teria a duração de três anos, ao término do qual os alunos receberiam o certificado de conclusão do 2o grau e habilitação profissional de Técnico em Enfermagem. A realização de um vestibular para a seleção dos candidatos para a primeira turma ficou marcada para o dia 18 de março de 1971.

Após a superação dos trâmites legais, inclusive a publicação do decreto de criação do Colégio, assinado pelo governador Abreu Sodré, finalmente, em 21 de abril daquele ano, era inaugurado o “Colégio Técnico Estadual de Bebedouro”.  Para o funcionamento do estabelecimento, a Prefeitura construiu um novo prédio anexo ao Ginásio Industrial, na rua General Osório, 915, com dez salas de aula, laboratório, galpão e sanitários.

Em 1972 teve início o processo para a construção de um prédio próprio para o Colégio Técnico. Para viabilizar a edificação, o município realizou transação com Rafael Peres Ximenes e Outros, para a doação de uma área de terra do loteamento denominado Jardim São João, localizado na Chácara Paiol, com pouco mais de 10 mil metros quadrados e com frente para a avenida Quito Stamato. O recebimento da doação com encargo foi autorizado por Lei nº 865 e a doação à Fazenda do Estado, por Lei n. 862, ambas de 23 de fevereiro de 1972.

Em 27 de setembro de 1975, com a denominação de “Colégio Técnico Industrial”, ocorreu a inauguração do novo prédio. O evento teve início com o corte da fita simbólica pelo prefeito municipal Sérgio Sessa Stamato e pelo professor Idio Zucchi, delegado de ensino técnico da região de São José do Rio Preto. Em seguida, ocorreu a benção das novas instalações pelo Cônego José Figuls e vários oradores fizeram uso da palavra, além da apresentação de várias peças musicais pelo Coral regido pelo maestro Pedro Pelegrino.

O segundo curso autorizado foi o de Técnico em Mecânica, com a oferta de 45 vagas no início de 1974. Ao novo curso foi destinado um conjunto de equipamentos importados da então existente República Democrática Alemã (Alemanha Oriental, socialista) por meio de um acordo com o Governo do Estado de São Paulo, no valor de U$160.245,95 dólares. As demais máquinas e instrumentos de precisão foram adquiridos de indústrias nacionais.

Para o funcionamento do curso, em 6 de novembro de 1976, ocorreu a inauguração do pavilhão de máquinas, em bloco anexo ao primeiro, com 675 metros quadrados de área construída, incluindo o salão de máquinas e salas para solda, tratamento térmico, resistência de material, ensaios tecnológicos e almoxarifado.

No decorrer de sua trajetória a escola ofereceu os seguintes cursos técnicos profissionalizantes: Enfermagem (1971 a 1988, sendo interrompido e retomado entre 1996 e 2004), Mecânica (1974 a 2002), Economia Doméstica (1972 a 1976), Decoração (1982 a 1986), Magistério (1982 a 1995) e Contabilidade (1985 a 2003).

Ainda na década de 1970, a instituição recebeu nova denominação, tornando-se a “Escola Estadual de 2º Grau Abílio Alves Marques”, que no decorrer dos anos passou a oferecer também o ensino regular, incluindo anos iniciais do ensino fundamental (1989 a 1995), anos finais do ensino fundamental desde 1989 e ensino médio regular desde 1998.

Entre o início da década de 1970 e de 2000 a escola centralizou a oferta de cursos profissionalizantes em Bebedouro, porém com a reestruturação do ensino técnico pelo Governo do Estado de São Paulo, este foi transferido da Secretaria da Educação para a Secretaria do Desenvolvimento Econômico. Desta forma, a Escola Estadual Abílio Alves Marques passou a dedicar-se somente ao ensino regular (ensino fundamental e médio), enquanto os cursos profissionalizantes passaram a ser oferecidos pela Escola Técnica Estadual – Etec, inaugurada no ano de 2006.

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.827, de sábado a terça-feira, 9 a 12 de março de 2024