Alta na tarifa de energia elétrica ou Como se paga pelo erro dos outros

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Situação complicada para o brasileiro que cuida de pagar as “contas da casa”. Cada vez mais parece que está sobrando mês no seu salário! De janeiro até junho deste ano, todas as tarifas e preços administrados pelo Governo Federal sofreram pesados reajustes. Notadamente em dois deles, justamente os que mais influenciam na alta do custo de vida, já que suas incidências recaem sobre praticamente todos os bens de consumo e serviços: a gasolina e a energia elétrica.
No caso da primeira, o aumento veio de uma só vez, com a promessa federal de ser a única, mas o da segunda, além do aumento inicial ser maior, continua aumentando a cada mês. Explicação lacônica do ministro das Minas e Energia: -“O governo parou de subsidiar a energia elétrica! Alguém precisa pagar essa conta!”.
No último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Roussef (2014) as tarifas de eletricidade foram diminuídas, em média, 20%. Os consumidores deixaram de contribuir com 32 bilhões de reais e o Governo Federal arcou em subsídios com outros 70 bilhões de reais. Campanha eleitoral cara! Mas só a “ponta do iceberg” energético do país.
Na verdade os reajustes mensais da tarifa de energia elétrica escondem uma falha de planejamento estrutural do setor, desde 2001 no governo de Fernando Henrique Cardoso e que só piorou com Lula e Dilma. Existe a necessidade de sincronia entre aumentar a capacidade geradora e de transmissão, ao mesmo tempo, sob o risco absurdo de termos energia e não conseguirmos usá-la. E foi isso que ocorreu.
A lista de projetos, passando por energia eólica, solar, a gás e hídrica, “com atraso em suas obras” de acordo com o CGU, chega a 80%.
Existem casos de campos de energia eólica no nordeste, prontos há mais de um ano, que nunca geraram um quilowatt sequer por falta de linhas de transmissão. Usinas a gás no sul não têm combustível, desde 2008, para gerar eletricidade. As três grandes hidrelétricas que estão sendo construídas no norte tem atrasos nos seus cronogramas por conta de greves e depredações por parte dos funcionários, segundo os consórcios construtores. De uma maneira geral nota-se que o problema é de planejamento. Ou a completa falta dele. Tais atrasos geram prejuízos aos cofres públicos que em 2015 estão sendo repassados ao consumidor final. É por isso que a fatura sobe todo mês. E vai continuar subindo.
A Gazeta examinou uma conta de um contribuinte bebedourense para ilustrar o tamanho do prejuízo. Em uma casa de quatro pessoas, casal e dois filhos, cujo consumo médio é de 300 kWh/mês, a conta passou de R$ 131,00, em dezembro de 2014, para R$ 237,00 em junho de 2015. Aumento de incríveis, 80,91%. Nota-se que a inflação acumulada do período foi de 25% aproximadamente.
Como se não bastasse uma das mais altas cargas tributárias do mundo, o “alguém” citado pelo ministro é você brasileiro. Convocado a pagar, mais uma vez, pela inaptidão e inoperância de quem foi eleito para planejar o crescimento. E desta vez a conta está sendo muito “salgada”. E vai ficar pior.

Publicado na edição nº 9862, 7 e 8 de julho de 2015.