Casos positivos em Bebedouro crescem 141% em sete dias

Levantamento preparado pela Gazeta de Bebedouro indica que os casos positivos, de 14 a 20 de maio, passaram de 5.237 para 5.894, em uma semana.

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Para tentar conter o avanço da pandemia, Bebedouro entrou em confinamento na quinta-feira (20), com fechamento das lojas do comércio central, galerias e shopping, academias, clubes, igrejas e templos religiosos, salões de beleza e de estética, barbearias, lotéricas e bancos, além da suspensão da feira livre.

Lockdown – Nos primeiros dias de confinamento, as ruas da área central ficaram sem movimentação.

Até 30 de maio, bares, restaurantes e ambulantes atendem apenas por delivery, não sendo permitido drive-thru, e a venda de bebidas alcoólicas está proibida. Em live, na segunda-feira (17), o prefeito Lucas Seren acompanhado de representantes da Saúde pública e particular da cidade, afirmou que nova avaliação será feita nos próximos dias para verificar a eficácia das medidas implantadas.

Mesmo com o aumento expressivo do número de casos e óbitos em Bebedouro, nas últimas semanas, entidades representativas do comércio e o vereador José Baptista de Carvalho Neto, o Chanel, (Solidariedade), manifestaram-se contra o lockdown.

Levantamento preparado pela Gazeta de Bebedouro indica que os casos positivos no município cresceram 141,5% no período de 14 a 20 de maio, passando de 5.237, na sexta-feira passada, dia 14, para 5.894, na sexta-feira (21), + 657 casos em sete dias.

Ainda baseado em dados fornecidos pela Vigilância Epidemiológica, a Gazeta também calculou a média móvel de novos casos, a cada sete dias, de 9 de abril a 20 de maio. Na semana de 9 a 15 de abril, foram contabilizadas 203 casos, com média móvel diária de 29. De 16 a 22 de abril, são 186 casos (média de 26,57/dia); de 23 a 29 de abril, com 242 casos, a média foi para 34,57/por dia; Uma semana depois, de 30 de abril a 6 de maio, caiu para 32/dia, com 224 casos. De 7 a 13 de maio, com 272 casos novos, a média diária subiu para 38,85. Entretanto, na semana passada, de 14 a 20 de maio, com 657 novos casos, Bebedouro registrou a média móvel mais alta até o momento, 93,85 por dia.

A cidade registra mais uma semana com alto número de mortes em decorrência da Covid-19. De 14 a 20 de maio (sexta-feira a quinta-feira), 15 novos óbitos foram inseridos no boletim da Vigilância Epidemiológica.

Na última edição da Gazeta, de quarta-feira (19), eram 180 mortes, sendo dez delas somente no fim de semana e uma na segunda-feira (18). Já na sexta-feira (21), o número subiu para 184, com óbitos de mais quatro pessoas: homem, de 48 anos, falecido na UPA, com diabetes; e três mulheres: 41 anos, internada no Hospital Estadual, com obesidade; 58 e 85 anos, falecidas na Unimed, ambas com hipertensão e diabetes.

Os casos subiram para 6.615, até o boletim divulgado na manhã de sexta-feira (21), sendo 5.894 moradores de Bebedouro e 721 da região. Os recuperados na cidade somam 5.693. Há também 17 pacientes isolados em suas residências, em monitoramento.

Outras 11 pessoas aguardam resultados de exames e ainda não constam do total de infectados.

A cidade soma 56 internados em UTIs e 62 em enfermarias. São 20 pacientes graves no Hospital Estadual, 12 na Unimed e 24 bebedourenses em UTIs de Barretos e de outros municípios. Já os pacientes com quadro leve ou que precisam de suporte ventilatório estão sendo atendidos no Hospital Estadual (20) Unimed (15), Hospital Municipal (17) e dez na UPA 24h.

Isolamento social

Bebedouro segue entre as 20 cidades com maior índice de isolamento social do estado, aponta o Simi-SP (Sistema de Monitoramento Inteligente), que contabiliza as cidades paulistas com população acima de 70 mil habitantes.

Na quinta-feira (20), primeiro dia de lockdown, Bebedouro apresentava índice de 46%. Um dia antes, o isolamento estava em 35%. Já no domingo (16), o isolamento estava em 54%.

Mesmo tendo caído o índice de isolamento, Bebedouro segue liderando no comparativo com outras seis cidades da região, acompanhadas pela Gazeta. Na quinta (20), Sertãozinho estava com 42%; Jaboticabal e Matão mantiveram 40%; Ribeirão Preto ficou com 39%; São José do Rio Preto, com 37%; e Barretos ficou com 39% de isolamento, o pior índice da região.

A voz dos profissionais

Acompanhando o cenário assustador da pandemia, a Gazeta tem recebido diversas reclamações daqueles que, em 14 meses, estão à frente da doença, na cidade.

O gestor da Organização Social Mahatma Gandhi, responsável pela UPA 24h, Giovani de Carvalho Silva, afirma que os profissionais da saúde, reclamam de “exaustão física e mental desencadeada pelo número crescente de pacientes e da carência de profissionais no mercado de trabalho. Além disso, também vêm sofrendo com ofensas, injúrias, exposições indevidas de imagem, frustrações, isolamento, falta de contato com a família, medo de exposição à Covid e de transmissão aos seus familiares”, relata Silva à Gazeta, mencionando que funcionários já se negaram a fazer horas extras e alguns pediram desligamento.

Segundo o gestor, com “o aumento da demanda de pacientes graves, necessitando de leitos com suporte avançado e maior tempo de assistência dos profissionais, com altas taxas de permanência nas unidades devido à falta de vagas de UTI, concomitantemente houve elevação na procura por atendimento de casos leves/moderados e assintomáticos. Houve aumento de queixas também? Sim, mas não somente de pacientes. Isto é atribuído aos ataques constantes caracterizados pela disseminação de desinformação, fake news, principalmente veiculados em redes sociais, utilizando de argumentos ideológicos, ofensivos e incentivando os atos de violência praticados contra estes profissionais de saúde, além de encorajar a não adesão da população às medidas de restrições sanitárias”, enfatiza Silva.

Para a enfermeira Jéssica Camargo Malagutti, que trabalha no enfrentamento da pandemia desde o início, “é triste ver o número de pessoas que já faleceram em Bebedouro, mas estou esperançosa por já estar ocorrendo vacinação. Peço que tenham paciência conosco e não percam a esperança em nós profissionais e tenham a certeza de que a salvação da humanidade é a vacina. Enquanto isso, cada um deve fazer sua parte e seguir as recomendações da OMS. É preciso maior conscientização da população”, pede Jéssica, ressaltando que já presenciou colegas serem desrespeitados não apenas pela população, mas também “por várias autoridades de diversas esferas, principalmente por aqueles que não entendem o que é o processo de trabalho da Enfermagem”.

Exército auxilia na sanitização de hospitais e vias públicas da cidade

A convite da Prefeitura, equipe da base militar de Campinas chega à cidade neste sábado (22).

Bebedouro recebe neste sábado (22), militares do Exército Brasileiro para auxiliar na prevenção e combate ao Covid-19. A pedido da Prefeitura, equipes da base militar de Campinas farão a sanitização de unidades de saúde e vias públicas, visando reduzir as contaminações pelo vírus.

O prefeito conta à Gazeta, que a Prefeitura havia observado que o Exército estava oferecendo ajuda às cidades que precisam impor medidas mais restritivas, caso de Bebedouro, que está em lockdown: “Fizemos o 1° contato através da equipe do Tiro de Guerra de Bebedouro, depois conversei com o general Hiroshi, da base de Campinas, que prontamente atendeu nosso pedido e disponibilizou toda sua equipe, que estará em Bebedouro a partir deste sábado (22)”.

A primeira ação, segundo o prefeito, será a sanitização de hospitais, com foco na UPA 24h e no Gripário, que reúnem maior fluxo de pessoas. “Ao longo da semana, outras ações serão planejadas e desenvolvidas”, garante Seren, citando a higienização das principais vias.

Publicado na edição 10.580, de 22 a 25 de maio de 2021

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