Contágio no interior é mais rápido que na capital, aponta Governo de SP

Região Administrativa de Barretos registra maior crescimento de óbitos no estado e 8º lugar em aumento de casos confirmados.

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Apesar do número absoluto de infectados pelo novo coronavírus ainda concentrar-se na RMSP (Região Metropolitana de São Paulo), o contágio cresce em ritmo quatro vezes mais acelerado no interior paulista e litoral, segundo levantamento da Secretaria de Saúde do Governo de São Paulo, realizado pelo Centro de Contingência do coronavírus.
Em coletiva de imprensa, na quarta-feira (20), o governador João Doria reforçou a preocupação das autoridades estaduais com o avanço da Covid-19 fora da capital. “É hora de compreendermos a gravidade das circunstâncias que o Brasil e São Paulo estão enfrentando, na pior fase do coronavírus desde a sua chegada. É preciso que tenhamos consciência da gravidade da situação, para evitar que mais brasileiros percam suas vidas para este vírus”, disse o governador.
No início de abril, as 606 cidades, fora da Grande São Paulo, que abrange a capital e outros 38 municípios, somavam 129 casos confirmados, mas encerraram o mês com 4.389 infectados, aumento de 3.302%. No mesmo período, a região metropolitana da capital passou de 2.793 casos para 24.309, 770% de crescimento.

Em três semanas
A pesquisa ‘Rotas e Riscos da Covid-19 no interior paulista’, realizada por pesquisadores da Unesp em Presidente Prudente e Botucatu, sobre a disseminação do novo coronavírus no interior paulista, divulgada no final de abril, apontava que o interior estava a três semanas para registrar crescimento tão expressivo de casos quanto a capital.
Em 4 de maio, exatas três semanas após divulgação do estudo de Carlos Magno Fortaleza, os dados da Secretaria de Saúde de SP mostram que o número de casos cresce quatro vezes mais no interior.
Considerando o período de 30 de abril a 18 de maio (segunda), o ritmo de crescimento de casos confirmados da Covid-19, na região administrativa de Barretos, a qual pertence Bebedouro, aumentou 184% no período, passando de 69 casos, para 196, sendo a oitava região com maior crescimento no estado. A RMSP é a última da lista (+ 108%), que inclui 16 regiões.
Já em ritmo de crescimento de óbitos, a região de Barretos lidera, com aumento de 267%, de 30 de abril e 18 de maio, passando de três mortes para 11. A região da capital ocupa o 6º lugar (+ 104%).
“Estes dados são um alerta da aceleração do contágio do coronavírus no interior do estado e também no litoral. Todas as cidades paulistas com mais de 15 mil habitantes já têm casos de coronavírus, neste momento. Nossa orientação é para que as pessoas fiquem em casa e sigam a quarentena, para que a gente possa superar esse momento agudo da incidência do vírus”, disse o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.
Para o coordenador do Centro de Contingenciamento e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, a epidemia da Covid-19, como esperado, começou em São Paulo, partindo da região metropolitana da capital para o interior. “Agora, o interior vive o que a capital já viveu, em termos de velocidade da epidemia, podendo alcançar a ‘velocidade de cruzeiro’, ou seja, por algum período, manterá o mesmo ritmo de contaminação e mortes, como ocorre na capital”, explicou Covas, em coletiva.

 

Perfil da mortalidade
O vírus continua se espalhando para o interior, litoral e Grande São Paulo, atingindo 493 municípios, dos quais 226, já possuem um ou mais óbitos pela doença, até a tarde de quinta-feira (21), segundo o Governo de SP.
A taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), reservados para atendimento da Covid-19 é de 73% no estado e 89,6% na RMSP.
Entre as vítimas fatais, estão 3.272 homens e 2.286 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais. Observando faixas etárias, subdivididas a cada dez anos, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (1.346 do total), seguida por pessoas de 60 a 69 anos (1.288) e 80 a 89 (1.076).
Também faleceram 355 pessoas com mais de 90 anos. Fora do grupo de idosos, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (789 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 anos (402), 30 a 39 (229), 20 a 29 (47) e 10 a 19 (16), e dez óbitos de pacientes com menos de dez anos.
Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (58,9%), diabetes (43,5%), doença neurológica (11,3%), doença renal (10,5%) e pneumopatia (9,5%).

 

Publicado na edição nº 10488, de 23 a 29 de maio de 2020.