Cooperar e crescer

Arnaldo Jardim

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O Dia Internacional das Cooperativas é comemorado no primeiro sábado de julho no mundo todo. Transmite otimismo e apresenta dados desta forma de organização virtuosa para o trabalho e capaz de distribuir renda como nenhuma outra. Celebramos a data comemorando o crescimento do cooperativismo brasileiro e apresentando ideias de avanços para ele crescer ainda mais.

São praticamente 50 milhões de brasileiros que têm no cooperativismo, direta ou indiretamente, uma fonte de trabalho e de renda. O modelo de negócio cooperativo contribui para o desenvolvimento econômico e social sustentável do Brasil.

As cooperativas aparecem na liderança da concessão de crédito a pequenos negócios durante a crise do coronavírus, de acordo com pesquisa realizada em maio de 2020 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O cooperativismo de crédito respondeu por 31% desses empréstimos, seguido dos bancos privados com 12% e dos bancos públicos com 9%. Com isso, empreendedores de várias partes do país conseguiram recurso para manter suas atividades e equipes, retomar o fôlego e salvar o seu negócio.

As cooperativas, além de contribuírem diretamente para a democratização do crédito, têm ocupado uma posição de destaque no Sistema Financeiro Nacional (SFN) em outras frentes. Segundo o Banco Central do Brasil (BC) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o cooperativismo de crédito tem crescido a taxas superiores a outras instituições do mercado financeiro.

Nos últimos cincos anos, esse crescimento passou dos 20% no montante de depósitos, refletindo claramente a confiança no modelo. Nesse mesmo período, as operações de crédito cresceram, em média, 16% ao ano.

O total de cooperados passou dos 7 milhões registrados em 2014 para 11,6 milhões em 2019, o que mostra uma procura crescente dos brasileiros pelo modelo cooperativo. Essas quase 12 milhões de pessoas que hoje são associadas a cooperativas de crédito representam 24% do total de clientes do SFN, de acordo com o Banco Central (BC/2018), mas a ideia é chegar aos 40% até 2022.

O setor tem se destacado de tal maneira que o próprio órgão regulador reconhece esse desempenho e aposta em um crescimento ainda maior. Aliás, esse desempenho reflete também o apoio do BC com políticas públicas de estímulo às cooperativas de crédito, como a inclusão na Agenda BC#.

Em 2018, esse número era de 33%. Hoje, em 594 municípios brasileiros, as cooperativas têm presença exclusiva, garantindo atendimento à população local.

Com a maior rede de atendimento do país, contando com 6.045 postos, as 884 cooperativas de crédito contabilizaram R$ 267,3 bilhões em ativos totais em dezembro de 2019.

Essa participação no mercado financeiro brasileiro, que hoje já chama a atenção, pode ser ainda mais expressiva, e o cooperativismo de crédito conta com aliados importantes nessa jornada: a OCB, que representa as cooperativas no país, inclusive as de crédito, o Banco Central e a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), da qual tenho orgulho de fazer parte.

Temos trabalhado juntos para que as cooperativas de crédito tenham um ambiente legal e regulatório que sustente essa escalada. Há 12 anos, comemorávamos a sanção da Lei Complementar 130/2009, que tive a honra de relatar na Câmara Federal, que instituía formalmente o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC).

Foi um marco, com certeza, que trouxe previsões legais importantes para que o setor trilhasse um caminho de desenvolvimento e chegasse a esses indicadores. Agora, nosso objetivo é trazer para a LC 130/2009 pontos que vão oxigenar seus conceitos sem perder o respeito aos princípios do cooperativismo.

Como representante das cooperativas de crédito na Frencoop, agora sou autor do  PLP 27/2020 na Câmara dos Deputados e é fruto de um diálogo constante com a OCB e com o Banco Central. A ideia é modernizar a governança, profissionalizar ainda mais a gestão e trazer a possibilidade de novos negócios.

Tenho certeza de que, assim teremos um cooperativismo de crédito ainda mais forte e atuante. Para o País, isso significa educação financeira, inclusão e democratização do crédito a milhares de brasileiros.

A nova lei se torna necessária para incorporar a evolução pela qual o setor passou desde 2009, após a criação do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo – SNCC (LC 130). As cooperativas de crédito são fundamentais para a inclusão financeira e democratização do crédito.

Com um modelo baseado na auto-gestão e no maior comprometimento das pessoas, as cooperativas conseguem mitigar os efeitos nocivos das crises com maior facilidade, contribuindo para a recuperação da economia brasileira, principalmente agora, dado o delicado cenário econômico do País causado pela recessão dos últimos anos e pela pandemia do coronavírus.

(Colaboração de Arnaldo Jardim, deputado federal).

Publicado na edição 10.591, de sexta-feira a terça-feira, 9 a 13 de julho de 2021