Cunha, o cadeirante militante

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Torcedor do Palmeiras, apaixonado por carros antigos, Onivaldo Cunha, é presidente do Conselho Municipal dos Deficientes. Perdeu a mobilidade das pernas aos 24 anos, mas não a alegria e a descontração para lidar com os obstáculos cotidianos de movimentar-se em cadeira de rodas e com disposição para dar lição de vida.

Pelo fim das barreiras – Cunha luta pelo aumento da acessibilidade dos deficientes físicos em Bebedouro.

Gazeta de Bebedouro – Onde foi sua infância?
Cunha – Sempre nesta casa, ao lado do prédio da Câmara Municipal, onde antes funcionou o Clube da Operária, Centro do Professorado Paulista (CPP) até ser cedido para os vereadores. A minha infância foi por aqui.

GB – Acompanhou todas as transformações do prédio?
Cunha – Desde os famosos bailes de carnaval do Clube da Operária. E eram agitados. Eu quase não conseguia dormir. Eram quatro noites de baile. E o pessoal pulava o muro da minha casa para entrar no clube. Eram pessoas que não tinham para pagar ingresso.

GB – Este barulho todo não afetou teu gosto por carnaval?
Cunha – Eu até gostava. Inclusive em participei de montagem e desfile de carros críticos no carnaval. Fui campeão por dois anos. Reuniam um grupo legal. Um deles foi o “Baile do Cabide”, que ironizava um baile do Bebedouro Clube quando vieram vários artistas e até helicóptero. O outro carro crítico era sobre o afundamento da iate Baton Moche (Bateau Mouche IV foi uma embarcação de turismo que naufragou na costa brasileira em 31 de dezembro de 1988). A gente criticou o abandono dos parentes das vítimas. O líder do nosso grupo era o Sérgio Maia e Sergio Maragoni e Paulo Pianta. E eu adorava pular carnaval de salão. Recordo de muitas noites na Associação dos Empregados no Comércio, quando os bailes eram no ginásio Sérgio Zacarelli.

GB – Quais eram seus amigos de infância?
Cunha – São os mesmos que continuam ao meu lado até agora. Claudio Mariano, que trabalha no Bebedouro Shopping, Otacir Canudo, dono de lava jato; Joel Dezem, Jeferson Grassetti e um círculo grande.

GB – Aprontava muito na infância?
Cunha – Nossa senhora, e como. Eu aproveitei muito a minha vida até os 24 anos, antes de sofrer o acidente.

(…)

Leia mais na edição nº 9588, dos dias 24, 25 e 26 de agosto de 2013.