Finanças também têm saúde. Cuide delas.

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Anderson Fogari

Todos sabemos que precisamos periodicamente frequentar um médico, realizar exames, controles e prevenção a doenças que possam nos trazer transtornos físicos ou emocionais.
Porém, nossa saúde financeira também inspira cuidados, ela pode ficar doente e, por consequência, nos levar à depressão, insônia, baixa produtividade no trabalho e crises familiares, pois o dinheiro está diretamente ligado à nossa sobrevivência.
O endividamento da população brasileira vem crescendo moderadamente nos últimos meses até chegar ao nível recorde de 45,1% em julho de 2013, segundo dados do Banco Central.
Portanto, temos que nos policiar e esquecer aquele velho pensamento; ” na hora do pagamento, eu dou um jeitinho de encaixar em minhas contas”.
A satisfação pessoal de sair da loja com um produto que sempre se quis, ou de contratar aquele serviço que sempre se teve vontade é inexplicável, faz bem ao espírito, ao ego, é saudável, mas, quando chega a hora do cheque ser descontado, ou da fatura do cartão de crédito que bate à sua porta, ou daquele crediário da loja ficar perto de vencer, vem aquela dúvida: Será que meu salário tem como suportar tudo isso?
Normalmente, situações como estas abaixo, não deveriam causar espanto porque conscientemente, já deveriam estar todas programadas, sem sustos, ficando muito mais fácil destacar e evitar débitos indesejados na fatura do cartão de crédito, por exemplo, como aquele seguro que nunca foi contratado, ou poder analisar o extrato bancário e suas tarifas com calma, Ou seja, tudo deveria transcorrer com tranquilidade e o nosso rendimento tão suado do trabalho, cumprir sua função básica de suprir nossas necessidades e nos proporcionar momentos felizes.
Infelizmente, não é isso que vem ocorrendo com as famílias brasileiras, o consumismo desenfreado e a falta de prevenção geram a chamada TPS, ou Tensão Pré Salário.
A TPS costuma se manifestar quando estamos sozinhos, nos preparando para dormir. Talvez também ao amanhecer, quando vem aquela pulga atrás da orelha, e rapidamente fazemos contas, que geram aquele frio na barriga e um desespero só de pensar nos tantos compromissos a pagar naquele dia que começa.
Nessas horas, as reações são distintas, alguns pensam, não vou lembrar disto agora, senão vou perder o sono, ou então meu dia vai ser ruim, depois eu resolvo; outros além de fazer as contas já dão início ao processo de sofrimento para sair da enrascada.. E como não podemos fabricar nosso próprio dinheiro, somos obrigados a recorrer ao cheque especial ou solicitar um financiamento bancário e, nesse caso, já começamos a dedicar parte de nosso trabalho ao enriquecimento dos banqueiros.
Não preciso dizer que, em pouco tempo, se essa situação permanece, os juros irão crescer e as parcelas dos empréstimos serão cada vez mais, figuras ‘non gratas’ na sua vida, e começar a privar-se de certas coisas antes tão primordiais, será necessário.
Para que isso não aconteça ai vão algumas regras básicas:
– Folha de papel, planilhas, softwares de controle financeiro e principalmente disciplina são seus aliados, eles te ajudarão a enxergar o seu futuro financeiro a curto e médio prazo.
– Separe um dia da semana para atualizar seus controles. Segunda-feira costuma ser o dia internacional do controle financeiro, assim não esqueceremos dos consumos do final de semana, não deixando escapar nenhuma despesa, inclusive o cafezinho. Para ficar mais fácil, dê prioridade ao cartão de débito. Reúna sua família, peça ajuda na hora de economizar em casa, como consumos exagerados de água e energia. Evite qualquer tipo de desperdício, mesmo porque sabemos da importância em preservar os recursos naturais.
– Mantenha uma conta poupança no valor de pelos menos dois salários para alguma emergência, ela te trará tranquilidade.
– Cartão de crédito foi feito para postergar o pagamento, não como forma de parcelamento de despesas. Ele pode ser o principal vilão de suas finanças, portanto é essencial seu pagamento no vencimento e pelo valor total da fatura.
– Lembre-se de nunca se comprometer com mais do que 70% da sua renda mensal.
– Planeje, sonhe, busque seus objetivos, ninguém vai conseguir impedir que você os alcance, se tiver um bom planejamento.
– Embora em certos casos não seja possível, evite contrair dívidas passivas, ou seja, aquelas que buscamos para cobrir prejuízos. As dívidas ativas são aquelas que fazemos para investir em algum bem ou sonho, elas são eficazes, desde que usadas com muita parcimônia.
– Estamos no começo de um novo ano, época da ressaca das festas e também de novas e muitas despesas, uma excelente oportunidade para começar a cuidar da sua saúde financeira, não acha ?
– Não hesite em contatar um especialista financeiro caso julgue necessário, ele pode lhe ajudar em diversas situações.
Respire fundo, oxigene o cérebro e SEJA FELIZ !!

(Colaboração de Anderson Fogari, gestor financeiro, formado pela Universidade Anhembi Morumbi – SP, colaborador do grupo Ayrton Senna por 17 anos, sócio diretor da Fogari Serviços Administrativos, agora com sede em Bebedouro).

Publicado na edição nº 9655, dos dias 6 e 7 de fevereiro de 2014.