Futuro sombrio

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Quase um ano depois do vexame dos 7×1 para a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo, a seleção brasileira de futebol pouco ou quase nada mudou. Aliás, mudou sim, mas para pior, se é que isso tem jeito. A derrota nos pênaltis para o Paraguai, no último sábado (27), em jogo válido pelas quartas de final da Copa América, somente escancarou o quão ruim nosso futebol se encontra ultimamente. Novamente Neymar não jogou, e a dependência da equipe com relação ao craque é cada vez mais nítida. Com ele em campo o Brasil é um pouco competitivo, sem ele a seleção não ficaria no G4 do Campeonato Brasileiro. Mas efetivamente não podemos depender somente do talento de Neymar.
Antigamente, nos jogos envolvendo o Brasil e times da América do Sul (com exceção da Argentina), sabíamos que a seleção venceria, com dificuldades ou não, mas sabíamos que ganharíamos a partida. Hoje, infelizmente, não temos mais essa certeza, e torcemos, sim, para não sermos humilhados por times como Peru e Venezuela, que até pouco tempo eram saco de pancada dos times sul
americanos.
Em outros tempos já defendi essa tese, e agora mais do que nunca gostaria de vê-la em prática – convocar somente atletas que atuam no futebol nacional. Seria excelente ver uma seleção formada por jogadores que jogam no Brasil, e não jogadores sem qualquer identificação com o país, como o caso de Firmino e Douglas Costa, com o devido respeito aos dois garotos que se deram bem nos gramados europeus, mas que na seleção não são nenhuma referência.
Como exemplo, poderíamos fazer um grande time com Fábio (goleiro Cruzeiro), Marcos Rocha (lateral direito Atlético/MG), Gil (zagueiro Corinthians), Paulo André (zagueiro Cruzeiro) e Zé Roberto (lateral esquerdo Palmeiras). Arouca (volante Palmeiras), Elias (volante Corinthians), Michel Bastos (meia São Paulo) e Lucas Lima (meia Santos). No ataque Marcelo Cirino (Flamengo) e Leandro Damião (Cruzeiro). Isso sem contar com jogadores como Ganso, Nilmar, Jadson, Robinho, Luis Fabiano, entre outros.
Tenho certeza que com a convocação de jogadores que atuam no Brasil, os torcedores também apoiariam mais a seleção, pois se identificariam com esse ou aquele atleta que defende seu clube. Com certeza ninguém iria torcer contra um jogador porque ele joga em um time rival ao seu.
Ainda tenho a esperança de isso acontecer um dia, quem sabe logo mais, porque do jeito que está, a seleção brasileira enfrentará muitas dificuldades nas eliminatórias para a Copa do Mundo, que começa em outubro.
É lamentável, mas o futuro do futebol brasileiro é sombrio.

(…)

Leia mais na edição nº 9859, dos dias 30 de junho e 1° de julho de 2015.