Governo do Estado amplia rede de testes para coronavírus

Unidades regionais do Instituto Adolfo Lutz, dentre elas a de Ribeirão Preto, estará habilitada a processar amostras.

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Novas medidas - Diretor do Procon-SP, Fernando Capez, e secretária de Estado de Desenvolvimento Social, Célia Parnes, participam da coletiva desta quarta (1º), com o governador João Doria, no Palácio dos Bandeirantes. (Divulgação/Governo do Estado de SP)

A rede de testes para o novo coronavírus será ampliada no Estado de São Paulo, segundo o governador João Doria. A medida, anunciada em coletiva de imprensa, na quarta-feira (1º de abril), no Palácio dos Bandeirantes, faz parte das medidas adotadas pelo Governo Estadual no combate ao Covid-19.
“Vamos reforçar a rede de exames e garantir, dessa forma, monitoramento efetivo sobre a circulação do coronavírus em nosso Estado. Assim, poderemos adotar as medidas necessárias para proteger nossa população”, diz Doria.
As unidades regionais do Instituto Adolfo Lutz, situadas em Santo André, Sorocaba, Ribeirão Preto, Bauru e São José do Rio Preto, estarão habilitadas a processar amostras, com capacidade de 500 exames por dia em um primeiro momento, podendo chegar a até mil.
Segundo o secretário de Saúde, José Henrique Germann, a Secretaria da Saúde também passa a processar, a partir desta quarta-feira (1º), 720 amostras por dia no Centro Estadual de Análises Clínicas, unidade que já é do Governo do Estado. Neste local, serão processadas amostras de 43 hospitais da rede estadual da Grande São Paulo.
A força-tarefa também inclui o processamento de 201 amostras de óbitos suspeitos, que terão diagnóstico final nas próximas 24 horas. “No momento, temos 16 mil exames represados, dos quais 201 são de óbitos suspeitos. Nas últimas semanas, tivemos problemas relacionados a insumos para processamento destes exames. No entanto, ao alterarmos o processamento manual para o automatizado, poderemos dar vazão e, não apenas isso, também melhorar o processo”.
Germann afirma que até o final desta semana, chegam ao Brasil, 20 mil kits de testes importados dos Estados Unidos, que serão distribuídos entre o Instituto Adolfo Lutz e outros laboratórios credenciados. “Nos próximos 10 ou 15 dias, mais 40 mil kits de testes também estarão chegando para suprir esta necessidade”.

 

Programa Vivaleite

João Doria anunciou a ampliação do programa Vivaleite para reforçar a nutrição de mais de 21 mil idosos residentes de abrigos e residências socioassistenciais.
“Vamos ampliar este programa social para atender pessoas com mais de 60 anos, que têm necessidade de acolhimento, de assistência e de atendimento especial”, declarou o governador.
Os idosos acolhidos receberão, a partir de segunda-feira (6), 15 litros de leite por mês, enriquecido com ferro e vitaminas A e D, além de doses diárias de suplementação proteica para idosos, doada pela Nestlé. A ação ocorrerá durante 60 dias.
“A garantia de segurança alimentar é ainda mais importante neste momento, pois fortalece a saúde deste grupo de risco que, além de estar em isolamento social, muitas vezes não tem mais vínculo familiar ou o vínculo já foi rompido, ou foram vítimas de violência”, afirmou a secretária de Estado de Desenvolvimento Social, Célia Parnes.
Para esta ação, o Governo do Estado recebe a doação de 77 mil latas de suplementação alimentar da Nestlé, em um valor de aproximadamente R$ 4,6 milhões. Cada idoso receberá quatro latas de suplemento por mês.
O Vivaleite é o programa de distribuição gratuita de leite pasteurizado do Brasil, atendendo crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, e idosos acima de 60 anos em estado de vulnerabilidade, especialmente famílias com renda mensal de até 1/4 do salário mínimo per capita.

 

Quarentena

Questionado sobre o fim do decreto estadual sobre o período de quarentena, que termina na próxima terça-feira (7), o governador ressaltou que novas informações serão apenas divulgadas, às vésperas.
“Na segunda-feira (6), passaremos as informações necessárias. Ao longo destes dias, o Centro de Contingenciamento do Covid trabalha com dados recolhidos em todo o Estado, compartilhando decisões com o Ministério da Saúde. Como fazemos desde o início, avaliamos dia a dia”, enfatizou na coletiva.

 

Preços abusivos

O Procon-SP atuará no combate, identificação e punição à prática de preços abusivos de botijões de gás, a fim de atenuar o impacto econômico da pandemia do coronavírus.
“O preço do botijão de gás, no limite, deve custar R$ 70. Não é nem R$ 71, nem R$ 72, nem R$ 80. Em uma situação como a que estamos vivendo, R$ 10 fazem muita falta. O Procon São Paulo está autorizado a agir, de acordo com a lei, para proteger o interesse público, especialmente da população de baixa renda”, disse Doria, na coletiva de quarta-feira (1º).
De acordo com Fernando Capez, diretor geral do Procon-SP, já houve flagrantes de botijões de 13kg sendo vendidos ao preço de R$ 90. Em casos mais extremos, o valor chegou a R$ 130.
Os fornecedores que forem flagrados realizando vendas a preços abusivos serão multados e conduzidos às delegacias de polícia para que respondam por crime contra a economia popular. “Não há risco de desabastecimento de botijões de gás. Não há nenhuma justificativa para que as pessoas se aglomerem nos pontos de venda e paguem mais caro”, afirmou Capez.
A orientação do Procon-SP é de que os botijões de gás sejam comercializados por valores entre R$ 68 e R$ 70. Em diálogo com o Sindicato de Fornecedores de Gás, o órgão estadual confirmou que não houve qualquer alteração nos custos que pudesse justificar a elevação dos preços cobrados dos consumidores.

 

Pronunciamento federal

Jair Bolsonaro, em rede nacional, fez mais um pronunciamento, o quarto sobre o coronavírus. Desta vez, o presidente não criticou diretamente o isolamento social como forma de conter a pandemia, método defendido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo próprio Ministério da Saúde. No dia 24 de março, Bolsonaro pediu a volta à normalidade e o fim do confinamento em massa.
“Minha preocupação sempre foi salvar vidas. Tanto as que perderemos pela pandemia como aquelas que serão atingidas pelo desemprego, violência e fome. Não me valho dessas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que, da mesma forma, precisamos pensar nos mais vulneráveis. Essa tem sido a minha preocupação desde o princípio”, declarou o presidente.
Bolsonaro elencou as medidas que o governo já tomou, destacando o congelamento dos preços dos remédios por 60 dias.