Heranças, contornos e complicações

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Enquanto ex-assessor briga na Justiça para impedir bloqueio de bens, diretor de Saúde corre para evitar perda de convênios.

Não é o caso de fazer comparações simplistas entre assessores do Governo Italiano (PTB) e do Governo Fernando Galvão (DEM), mas é inegável que vivemos tempos diferentes.
Rapaz de histórico elogiável pela vida acadêmica, Acelino Cardoso de Sá sofreu a guinada da vida quando foi nomeado em 2009, diretor do Saeeb, a autarquia municipal mais bem administrada da Prefeitura.
Numa história, que ainda falta ouvir a versão dele, foi gravada em escuta telefônica, uma conversa que levanta suspeita de direcionamento em licitação pública para compra de espaço publicitário em emissora de rádio de Bebedouro.
Nos últimos anos, trabalhando fora da cidade, o ex-assessor perde bastante tempo e dinheiro com advogados para tentar defender-se da ação movida pelo Ministério Público, por suspeita de ato de improbidade administrativa. Mesmo que consiga escapar de condenação definitiva, Cardoso de Sá não conseguirá tirar da lembrança tudo que passou.
Por outro lado, o ginecologista Eurico Medeiros assumiu em janeiro de 2013, como diretor do Depto de Saúde. Nos bastidores, a informação é que ele refletiu muito antes de assumir o cargo. Para quem tem a vida e carreira estabilizada é sempre um risco assumir função política.
Depois de refletir com a família, Eurico resolveu assumir o cargo, mas em entrevista coletiva concedida na Prefeitura, na manhã de segunda-feira, deixou bem claro que seu objetivo não é usar o cargo como trampolim político.
De forma inusitada, pediu para que todos, presentes, repórteres e assessores de governo, lhe puxassem a orelha, se daqui 20 anos, forem colhidos os frutos da melhoria da Saúde. Ele faz questão de repartir os louros com toda equipe, assessores e vereadores, desta e da gestão anterior.
Eurico Medeiros é um homem que não precisa ganhar mais nada, mas tem muita coisa a perder se houver irregularidade. Por isto, procura agir com toda cautela. Atitude que talvez teria poupado Acelino Cardoso de Sá, das dores de cabeça que agora tem.
Publicado na edição nº 9557 dos dias 11 e 12 de junho de 2013.

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