O boxe como lição de vida

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Tudo depende da forma que você recebe os golpes

Desde a infância sempre fui apaixonado pela prática do boxe. Não é difícil uma criança negra gostar deste esporte por causa do número de ídolos negros: Joe Lewis, Muhammad Ali, George Foreman, Sugar Ray Leonard e Mike Tyson. No Brasil, também tivemos Eder Jofre, Acelino Popó e o folclórico Maguila.
Com todo respeito que tenho aos praticantes do MMA, o boxe ainda é uma luta mais fascinante, porque o atleta tem que se sobressair à quantidade de regras, maior do que aquelas impostas para Anderson Silva ou Vitor Belfort.
Recentemente, comecei aprender boxe e fiquei surpreso com a insistência do treinador no posicionamento correto das pernas e dos braços. Dependendo do jeito que você recebe o golpe perderá o equilíbrio, por isto, é preciso muito jogo de cintura, sem condições de revidar.
A série Rocky – o Lutador é um das mais conhecidas sobre o boxe, estrelado por Silvester Stalone, com o mágico personagem do severo treinador Mike. Mas há muitos outros bons filmes como Ali e um dos melhores – Menina de Ouro, dirigida por Clint Eastwood, que também interpreta um carrancudo treinador de uma moça de 30 e poucos anos, papel de Hillary Swank.
Todos os filmes sabiamente focam no treinamento, porque não é a força e os socos, os fatores determinantes da vitória, mas a técnica. Para bater é preciso aprender a esquivar-se dos socos e até proteger-se dos inevitáveis golpes recebidos, sem ficar com raiva de quem o agride.
Este é o segredo da vida ensinado por esta luta, sua determinação em levantar-se da lona depois dos duros golpes que recebe: palavras, doenças, desemprego, falta de dinheiro. E o mais importante: não existem eternos campeões. Sempre existirá alguém ou alguma coisa para o desafiar. Muhammad Ali perdeu e recuperou o cinturão de campeão por três vezes. Mas também é preciso saber a hora certa de parar. Chega o momento que não precisamos provar mais nada para ninguém.

Publicado na edição nº 9592, dos dias 3 e 4 de setembro de 2013.