O Mordomo da Casa Branca

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Filme faz relembrar os serviçais invisíveis que testemunhavam fatos históricos.

Neste feriadão de carnaval, aproveitei para colocar em dia, um dos meus passatempos preferidos, assistir filmes. Finalmente tive a chance de assistir o filme “O Mordomo da Casa Branca”, baseado nas memórias de Cecil Gaines, que trabalhou por 34 anos como serviçal, na sede do poder dos Estados Unidos.
A história de Cecil começa com uma tragédia, mãe estuprada e pai assassinado por um fazendeiro. Sua vida começa mudar quando a mãe do agricultor Annabeth Westfall, interpretada pela atriz Vanessa Redgrave, resolve lhe ensinar a ser serviçal com uma frase que pauta a vida dele “tem que saber servir sem ser notado”.
Por toda vida, Cecil é quase invisível para grandes famílias e até para os presidentes que serve na Casa Branca. Há momentos em que eles, na solidão do poder, até desabafam com o mordomo, mas ele sempre sabe o seu lugar.
Nesta posição, ele assistiu os bastidores da luta pelos Direitos Civis, o casal John Kennedy e Jacky Kennedy, a Guerra do Vietnam, a Queda de Richard Nixon, as negociações internacionais de Ronald Reagan.
Assistindo ao filme recordo-me de lembranças de minha mãe e minhas avós, empregadas domésticas até se casarem. Pequeno, as ouvia relatar os bastidores das casas de grandes famílias para quem trabalharam. Lembro-me de minha avó materna, dona Antônia Carneiro, contando as dificuldades dos cafeicultores na região de Bebedouro, que não tinham dinheiro nem para pagar os empregados.
Por conta deste passado, em sendo filho e neto de empregadas domésticas, sempre faço questão de cumprimentá-las, até as serviçais de locais que frequento. Por trás destas pessoas, há histórias de vida e a sabedoria de quem passa a vida só observando, sem ser notado, submetendo-se porque tem família para criar.
Até sábado (8), Dia Internacional da Mulher, série de homenagens serão feitas, duvido que alguém pense em reverenciar as empregadas domésticas e as serviçais. Por isto, faço isso aqui. Parabéns a estas profissionais. Que graças ao Enem e Prouni estão acabando, porque as meninas estão indo estudar. E quem permanecer tem a garantia da carteira assinada, porque hoje é assim.

Publicado na edição nº 9666, dos dias 6 e 7 de março de 2014.