‘O Telefone Preto’ é terror dos bons e precisa ser assistido

Marcos Pitta

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Terror dos bons - ‘O Telefone Preto’ está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil e merece ser assistido.

Este texto não contém spoilers.

Para os amantes dos bons filmes de suspense, o convite para assistir ‘Telefone Preto’ nos cinemas não pode ser recusado. Resumindo o filme em poucas palavras e sem spoilers, no final da década de 70, uma série de sequestros está acontecendo na cidade de Denver, através de um serial killer que tem como alvo, crianças do bairro. Finney, garoto de 13 anos, é sequestrado e acorda em um porão, com apenas uma cama e um telefone preto em uma das paredes. Quando o aparelho toca, o garoto consegue ouvir a voz das vítimas anteriores do assassino. Enquanto isso, a irmã do protagonista Gwen tem sonhos que indicam o lugar onde ele pode estar e corre contra o tempo para tentar ajudá-lo.

O longa baseado em um conto escrito por Joe Hill, filho dos autores Stephen King e Tabitha King, é dirigido por Scott Derrickson e apresenta cenas muito bem filmadas e pensadas, principalmente para o público que adora levar um bom susto. O mais interessante da história é que os espíritos das crianças anteriormente assassinadas pelo serial killer não voltam como assombração para o protagonista, mas sim com a finalidade de ajudá-lo a escapar.

A sonoplastia do filme é bem arranjada, tudo se encaixa perfeitamente, bem como a fotografia, condizente com a década de 70, a roupa dos personagens casa com a cor dos cenários, com as locações escolhidas e o filtro antigo em nada atrapalha as sequências eletrizantes que o filme contém.

O perfil do protagonista, uma criança de 13 anos, também é maravilhosamente construído. A trajetória do personagem percorre os maus tratos em casa por parte do pai e o bullying que ele sofre na escola por parte dos colegas. Finney é apresentado como ingênuo, o garotinho que não sabe se defender e é justamente ele, o colocado à prova para enfrentar o vilão. O amadurecimento do personagem ao longo da narrativa é surpreendente e muito bem construído. Tudo está no diálogo e este é o diferencial de ‘O Telefone Preto’, o filme de terror não está ali apenas cumprindo o papel de assustar, trazendo receita de bolo genérica de produzir bons sustos e sons altos e aterrorizantes. Longe disso. Todos os ingredientes do suspense e do terror se encontram na medida ideal e com uma pitada de diálogo rico, mostrando firmeza nos personagens, suas profundezas, não apenas na história do protagonista, mas com sua irmã, seu pai e até alguns outros secundários. O filme merece nota 9. O porquê do 10 não acontecer, você precisa descobrir assistindo.

Publicado na edição 10.687, de sábado a terça-feira, 30 de julho a 2 de agosto de 2022.