Nomes de coronéis, jornalistas e professores estão entre os patronos das escolas criadas no século passado. Somente em 1983 uma escola seria nomeada com o nome de uma mulher, da professora Yolanda Carolina Giglio Vilela.

Com o advento da República no Brasil, em 1889, os estados assumiram a responsabilidade pela oferta do ensino público, o que resultou na criação de inúmeras escolas nas capitais e no interior. No estado de São Paulo, como forma de identificação de cada nova unidade, optou-se pela associação ao nome do bairro em que a escola se localizava ou ao nome do próprio município.

Posteriormente, ainda nas primeiras décadas do século passado, as escolas passaram a receber nomes de patronos, geralmente algum personagem que realizou algo relevante para a humanidade ou para a nação, poderia ser algum notável no campo político, cultural ou científico.

Em Bebedouro, a denominação das escolas públicas também seguiu este percurso, sendo que as primeiras escolas receberam nomes associados ao do município, sendo elas: Grupo Escolar de Bebedouro, Segundo Grupo Escolar, Ginásio Municipal, Colégio Estadual e Escola Normal, Grupo Escolar de Botafogo, Escola Artesanal.

A primeira escola a receber o nome de um patrono foi o Primeiro Grupo Escolar que passou a denominar-se “Abílio Manoel” a partir de agosto de 1937, homenageando um dos personagens mais expressivos da história local. Em 1942, o Segundo Grupo Escolar, também passou a ter a denominação de um antigo líder político, o ex-prefeito e vereador “Cel. Conrado Caldeira”.

O terceiro homenageado, “Dr. Paraíso Cavalcanti”, também foi vereador, mas foi sua relevante atuação no campo da medicina por quase cinquenta anos em que morou em Bebedouro que levou à escolha de seu nome como para o Colégio Estadual em 1954.

Finalmente em 1955, uma unidade escolar passaria a ter o nome de um profissional da educação, pois a Escola Artesanal recebeu o nome do “Prof. Stélio Machado Loureiro”, que atuou no magistério local e como jornalista e assistente do governo estadual na capital paulista. No mesmo ano, o Grupo Escolar da Vila Paulista passaria a ter como patrono “José Francisco Paschoal”, jornalista e proprietário da Academia de Comércio.

O Grupo Escolar de Botafogo passou a ter o nome de “Prof. Gustavo Fernando Kuhlmann” em 1956, em consideração à sua trajetória em prol da educação pública. Em 1963 seria inaugurado um novo Grupo Escolar que teria como patrono o fazendeiro e político “Abílio Alves Marques”, como reconhecimento à doação do terreno por um dos filhos do homenageado.

Em abril de 1977 seria sancionada pela Assembleia Legislativa de São Paulo a Lei n. 1284, que dispunha sobre a denominação de prédios, rodovias e repartições públicas. Revogada pelo Lei n. 14.707, de 2012, estabeleceu que nos estabelecimentos oficiais de ensino, a preferência deve ser a de nomes de educadores com vinculação à comunidade em que se situa a escola.

Desta forma, a maioria das escolas oficiais do Estado criadas desde então recebeu a denominação de patronos ligados à educação, sendo eles: Prof. Paulo Rezende Torres de Albuquerque, Alto da Boa Vista, 1979 (posteriormente transferida para o Residencial Bebedouro); Prof. João Domingos Madeira, Jardim Cláudia, 1983; Profa. Yolanda Carolina Giglio Vilela, Bairro Menino Deus, 1983, sendo  a primeira escola a receber o nome de uma mulher; Prof. Orlando França de Carvalho, Jardim Alvorada, 1987; Prof. Dr. Augusto Vieira, Jardim Centenário, 1991; Prof. Hernani Nobre, Centro, 1991; Profa. Izabel Motta Silva Cardoso, Distrito de Turvínea, 1993; João Pereira Pinho, Jardim Tropical, 1993; Prof. Idio Zucchi, Jardim Eldorado, 2011.

Entre as escolas criadas, somente dois patronos não eram vinculados diretamente à educação: o ferroviário, jornalista e escritor Oswaldo Schiavon, que em 1981 passou a denominar a unidade escolar do Bairro Santo Antônio, depois transferida para o Jardim Pedro Maia; e o comerciante Alfredo Naime, que em 1982 denominaria a escola no Povoado de Andes.

A partir do final da década de 1990, várias unidades escolares estaduais foram municipalizadas, mantendo os patronos de outrora. No mesmo período o município criou dezenas de escolas de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, sendo que a maioria recebeu nomes de profissionais da educação, incluindo os de diversas professoras, rompendo a predominância masculina presente entre as denominações das primeiras escolas. Entre as estaduais, a unidade escolar do Jardim Souza Lima, criada em 2004, permanece sem nenhum patrono.

Publicado na Gazeta de Bebedouro – Edição 10.674, sábado a quarta-feira, 11 a 15 de junho