
A nossa coluna está chegando aos 19 anos de idade. Embora estejamos passando por um período de sensível introspecção e profunda reflexão, não podemos deixar de comemorar essa data especial, a qual nos remete aos signos da conquista e da responsabilidade.
Conquista, dada a jornada que realizamos juntos até aqui, prezado leitor. Foram mais de 700 artigos publicados sobre os mais variados temas relacionados à ciência e à tecnologia. Além deles, a coluna foi pauta de congressos nacionais e internacionais sobre divulgação científica, fez parte de capítulos de livros, gerou insumos para publicação de dois livros que foram distribuídos gratuitamente para instituições de ensino e, estimulou a criação de um projeto social – o Projeto Ler – que arrecadou mais de dois mil livros junto a ilustres patrocinadores da iniciativa privada, distribuídos a instituições de ensino cuja missão maior era levar o conhecimento e a cultura científica a seus alunos.
Responsabilidade, em função principalmente da perene e incessante busca pela verdade que a ciência e seus respectivos atores conjugam em todos os tempos verbais na realização de suas ações, as quais atingem diretamente a humanidade. Nossa coluna, em sua habitual abordagem, humildemente, tenta revelar essa verdade às mentes iluminadas de nossos queridos leitores.
2020, um ano de tristezas, de luta e de vitórias
Se iniciamos 2020 completamente cegos acerca dos desígnios desafiadores pelos quais viveríamos nos meses subsequentes, chegamos ao seu final com uma enorme e vívida esperança de que a superação a quaisquer obstáculos que nos afrontasse estava certamente garantida. A incansável jornada pela qual os cientistas e pesquisadores do mundo todo se dispuseram a experimentar diante de uma catástrofe iminente, foi o grande divisor de águas que levou a humanidade a evitar um retorno à idade da pedra sob o ponto de vista da saúde. Evidentemente que muitas vidas foram perdidas, e para elas não há preço que compense a reparação. São cicatrizes em nossas vidas e em nossa caminhada que precisaremos aprender a conviver. Iremos carregá-las por nossa eternidade.
Milagre ou ciência?
Quando a peste negra atingiu a Europa nos séculos XIV e XVII, a ciência médica ainda não era tão evoluída a ponto de entender e curar rapidamente a população que se via à deriva e que pautava suas esperanças somente em crendices e milagres. Para se ter uma ideia, os moradores de um vilarejo ao centro da Inglaterra chamado Eyam, foram quase todos dizimados em meados da década de 1660. A agonia e o temor eram tais que muitos apelavam para rituais supersticiosos, como fumar tabaco ou realizar preces fervorosas pedindo que não fossem contaminados, usavam máscaras com ervas, desconfiados de que a transmissão se dava pelo ar, ou mesmo permaneciam sentados em tubulações de esgoto imaginando que a doença não poderia alcançá-los em um lugar tão fétido. A ignorância marcava o compasso de seus destinos.
Daquela época aos nossos dias a ciência e a tecnologia andaram rápido na linha da evolução. A humanidade se viu cada vez menos dependente de milagres e muito mais da verdade e realidade científicas. E se acreditamos em destino, podemos afirmar com tranquilidade que a luz da ciência passou a conduzi-lo, mesmo com suas limitações, com suas fraquezas e com sua provisoriedade.
E para que não haja dúvidas, o que ocorreu em 2020 e está ocorrendo em 2021 em relação às vacinas e à mitigação da pandemia da Covid, não é um milagre. É apenas a realização da ciência!
Continuemos sintonizados
Voltando ao nosso aniversário de 19 anos, eu gostaria de agradecer aos queridos leitores que têm tido a paciência nesses anos todos de acompanhar e aceitar as palavras singelas da ciência e, em alguns casos, opinado sobre os temas aqui propostos. Essa coluna é totalmente dedicada a vocês!
Deixo aqui o convite para que continuem conosco, interagindo, quando julgarem oportuno, na perene e fundamental jornada da ciência. Muito obrigado!
(Colaboração de Wagner Zaparoli, doutor em ciências pela USP, professor universitário e consultor em tecnologia da informação.)
Publicado na edição 10.558, de 27 de fevereiro a 02 de março de 2021.