2026: um ano decisivo

José Mário Neves David

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Estamos em dezembro e, em algumas poucas semanas, adentraremos em 2026. Um novo ano, uma nova oportunidade para iniciar novos projetos, mudar determinadas posturas e hábitos e recomeçar. Em 2026, contudo, haverá uma decisão importante a ser tomada.

 

Em outubro do próximo ano escolheremos a pessoa que ocupará o cargo mais relevante da República: o de Presidente do país. Um cargo de grande responsabilidade e, consequentemente, de grande visibilidade e prestígio. Mais do que uma ocupação temporária, é uma posição de enorme simbolismo e que, direta ou indiretamente, espelha as escolhas, as virtudes, os princípios e as prioridades do povo brasileiro.

 

Independentemente de opiniões pessoais e preferências políticas, é inegável que estamos diante de alguns dilemas. O primeiro e mais latente é que o Brasil está polarizado politicamente e refém de um populismo que pouco ou nenhum benefício gera para o país e para a sociedade brasileira. Em uma análise fria, racional, fica evidente que a polarização atual e o populismo praticado pelos últimos presidentes da República apenas causaram prejuízos e retrocessos ao país. Alguma vantagem momentânea pode ter sido percebida por alguns estratos da sociedade, mas nada disso se mostra sustentável ou interessante para o Brasil no longo prazo. São os famosos voos de galinha. Nesse sentido, a eleição de 2026 representa a oportunidade de votarmos em candidatos mais alinhados a posturas éticas, sóbrias e responsáveis, e não vinculados a um populismo barato e nefasto para a população brasileira.

 

Um segundo dilema diz respeito à liturgia do cargo de presidente da República. É uma posição que, em tese, demanda sobriedade, racionalidade, comedimento, senso de responsabilidade e, acima de tudo, respeito a todo o povo brasileiro, mesmo os que não votaram no candidato vencedor. Estamos observando isso na prática nos últimos anos? Parece que não. A partir do momento em que temos um presidente pouco racional, de discurso belicoso, sem qualquer reponsabilidade ou comprometimento com as gerações futuras de brasileiros, e que governa – e brada – apenas para seus eleitores, temos um bode grande na sala. Eleição não é mera competição, é o momento em que a população indica seus representantes. Quem sair vencedor, deve governar com responsabilidade e para todos.

 

Um terceiro dilema é uma questão pouco discutida, mas muito relevante para a sociedade. O ocupante da cadeira presidencial é um espelho, um exemplo, um modelo para os demais brasileiros. Se esse ocupante age de forma irresponsável, irascível, fanática e com pouco apreço por valores morais e éticos, a mensagem passada ao cidadão comum é muito ruim. Demonstra-se que a malandragem vale a pena, que ser irresponsável é vantajoso e que agir de forma antiética e, por vezes, contrariamente à lei, pode ser um caminho viável para o brasileiro comum melhorar de vida. As palavras têm peso, mas o exemplo, ainda que negativo, arrasta.

 

Nesse contexto, a eleição de 2026 pode representar um corte em determinados comportamentos políticos, uma nova chance para o Brasil de fato se desenvolver como nação. Um, ou uma, Presidente da República sozinho(a) não faz verão, mas pode – e deve – ser o exemplo positivo que tanto necessitamos.

 

(Colaboração de José Mário Neves David, advogado, conselheiro e professor. Contato: jose@josedavid.com.br).

Publicado na edição 10.973 de sábado a terça-feira, 6 a 9 de dezembro de 2025 – Ano 101