

Até a década de 1930, o carnaval bebedourense tinha como tradição a realização de corsos de automóveis e batalhas de confetes nas ruas e os bailes de salão. Estes tiveram continuidade, porém mudando os locais em que eram realizados, conforme surgiram novas associações e clubes que os promoviam.
Uma novidade que surgiu no início dos anos de 1930 foi a chegada do Rei Momo e sua corte na estação ferroviária em trem especial da Cia. Paulista. O Rei era recebido por grande público e junto com seu séquito desfilava pelas ruas centrais em um carro alegórico organizado pelo Esporte Clube Paulista, visitando os salões dos bailes e participando das brincadeiras de rua nos vários dias, e ao final, embarcava na estação novamente, representado o final do seu reinado naquele ano.
Quanto às rainhas do Carnaval, antes havia as rainhas de cada entidade, mas em meados da década de 1950 teve início os concursos para escolha a partir das indicações feitas pelos clubes. Era então marcada uma data em que as candidatas desfilavam pelas ruas centrais e eram avaliadas por uma comissão, que posteriormente anunciava a vencedora. Em outras ocasiões, os clubes se empenhavam para conseguir votos junto à comunidade e a candidata que tivesse a maior votação era anunciada como rainha.
A partir da década de 1960 houve um processo de estruturação do carnaval de rua pela Prefeitura Municipal, que passou a nomear comissões responsáveis pelos festejos, destinando recursos, buscando parcerias e organizando concursos de carros alegóricos, carros críticos, blocos, fantasias e escolas de samba.
Inicialmente os concursos de carros alegóricos eram promovidos pela Gazeta de Bebedouro, cabendo ao Bebedouro Clube várias vitórias consecutivas, tendo apresentado entre outros temas, “Sonho Infantil” (1960); “Tenda Cigana” (1965); “O cisne e o lago” (1966); “Cultura holandesa” (1968).
As escolas de samba foram estruturadas a partir dos clubes existentes, como o Esporte Clube Paulista, Bebedouro Clube, AECB, Sociedade Recreativa José do Patrocínio e Sociedade Operária Beneficente. Em vários anos foram organizados concursos intermunicipais que contavam com concorrentes de cidades da região, que algumas vezes foram vitoriosas, como a “Acadêmicos da Vila Paulista”, em 1967, e Independentes da Vila Tibério”, em 1968, ambas de Ribeirão Preto. A ‘José do Patrocínio’ participou de todos os concursos naquela década e foi a única agremiação de Bebedouro que conquistou a vitória, por vários anos.
Entre as décadas de 1970 e 1990 o carnaval de rua continuou sendo organizado e financiado pela Prefeitura, que inclusive passou a estruturar os locais de desfile com a montagem de arquibancadas e a decoração das ruas e praças. Em determinados anos, geralmente com a justificativa de falta de recursos, os desfiles deixaram de ser realizados. Desde as origens e até o final da década de 1980 o percurso sempre foi na região central, iniciando a concentração na Praça Valêncio de Barros e seguindo em direção à Praça Rio Branco, onde ocorria a dispersão.
Durante este período surgiram novas agremiações, como a 13 de Maio, Alto do Morro, Unidos do Bom Retiro, Unidos de Bebedouro e Rosas de Ouro. Em 1992, depois de ser realizado por dois anos na Avenida Pedro Paschoal, o carnaval de rua conquistou espaço próprio com a inauguração do ‘Sambódromo’, construído junto ao Parque Centenário.
O primeiro carnaval realizado no local teve a abertura com o Rei Momo e sua corte e desfile do Bloco Vai Quem Quer. Na sequência, em dias alternados, houve a participação de carros críticos e das escolas de samba Meninos de Ouro do Educandário Santo Antônio, Unidos do Bom Retiro, S. R. José do Patrocínio, Alto do Morro, Unidos de Bebedouro, Rosas de Ouro e Associação dos Empregados no Comércio, que se sagrou como a primeira campeã no sambódromo com o enredo “Pintando Emoções”.
Nas décadas seguintes, o carnaval aconteceu de forma irregular, sempre na dependência dos recursos da Prefeitura, o que resultou no cancelamento dos desfiles, ou a participação de um número menor de escolas de samba, com menos luxo e figurantes. Em anos mais recentes, a tradição das escolas de samba e carros críticos foi interrompida e o carnaval restringiu-se basicamente a organização de shows, blocos e trios elétricos.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.907, sábado a sexta-feira, 1º a 7 de março de 2025 – Ano 100