A COP 30 é nossa! Com brasileiro, não há quem possa

Niara Su

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Niara Su, autora do livro “Ouro da Floresta”

Quem não se lembra dos tristes episódios de racismo que nossos jogadores brasileiros sofreram em vários campos de futebol na Europa? Pessoas imitando sons e gestos de macaco, entoando coros racistas e, até mesmo, arremessando bananas contra nossos atletas. Enquanto lá fora bananas são usadas como objeto para ataques racistas, aqui no Brasil, no nosso “campo científico”, pesquisadores fizeram uma jogada de mestre em prol do meio ambiente ao criarem um bioplástico a partir de cascas de banana.

Infelizmente, a ciência brasileira ainda atua, muitas vezes, em verdadeiros “campos de várzea”, mas isso não impede o surgimento de craques da ciência, que, assim como os jovens talentos da várzea, fazem o impensável com os poucos recursos. E a “bola da vez” da ciência foi justamente a casca de banana, que entrou em campo para driblar o impacto ambiental causado pelo uso de plásticos não biodegradáveis.

Pesquisadores da Embrapa e da UFSCar desenvolveram um filme bioplástico com potencial de aplicação em embalagens ativas de alimentos, por meio de um processo simples e com potencial de uso industrial. Esse bioplástico apresenta excelentes propriedades antioxidantes e proteção contra radiação ultravioleta, sem gerar resíduos.

No nosso cotidiano, embalagens de plástico e isopor são amplamente usadas para acondicionar frutas, carnes e outros alimentos. E a correria da vida moderna faz com que muitas pessoas não deem o devido descarte a estes materiais. Pesquisas como essa, feitas a partir de resíduos naturais, podem trazer soluções simples, escaláveis e de grande impacto ambiental.

Talvez a própria natureza, prevendo o comportamento imediatista do homem, já tenha criado seus “produtos” com embalagens biodegradáveis — como as cascas — para se decomporem sem causar danos ao planeta. E, é observando essa mesma natureza que muitos cientistas encontram respostas para problemas gerados por ações humanas inconsequentes.

Seria simbólico e um incentivo à ciência, se os jogadores da seleção brasileira apresentassem essa pesquisa na COP 30, mostrando ao mundo que o Brasil não só domina as jogadas de mestre no futebol, como também tem feitos extraordinários na ciência. E, com isso, darmos uma lição de respeito: ao outro, à natureza e ao futuro do planeta!

(Colaboração de Niara Su, autora do livro “Ouro da Floresta”, um romance ambientado na Amazônia com o objetivo de transmitir um chamado à preservação da vida e da floresta).