A inteligência artificial precisa do SEO mais que nunca

Marcos Pitta

0
114
A partir da primeira pag

“Não é a espécie mais forte nem a mais inteligente que sobrevive, mas sim a que melhor se adapta às mudanças”. Essa frase célebre de Charles Darwin nunca foi tão atual quando falamos sobre o cenário digital, especialmente no universo do SEO (Search Engine Optimization).

Com a chegada da inteligência artificial generativa e das LLMs (Large Language Models), muita gente começou a declarar a “morte” do SEO. Mas isso não poderia estar mais errado. O que está acontecendo, na verdade, é uma transformação profunda. E, como Darwin já nos ensinou, sobrevive quem se adapta melhor. O SEO está mudando, e ignorar esta mudança é um risco que nenhum profissional de marketing ou dono de negócio deveria correr.

O novo SEO: menos palavra-chave, mais intenção de busca

Durante muito tempo, bastava repetir palavras-chave para ranquear bem. Hoje, isso não funciona mais. O Google evoluiu, e muito. Com algoritmos mais inteligentes, como o BERT e os updates de conteúdo útil (Helpful Content Update), o buscador passou a focar em entender a intenção de busca do usuário. E isto nem é tão novo assim, mas é uma mudança de um passado-recente.

Em vez de olhar só para a palavra escrita, o Google agora tenta decifrar o que o usuário realmente quer saber. E, para isso, classifica as intenções em três grandes categorias:

  1. Intenção informacional

O usuário quer aprender algo, tirar uma dúvida, entender um conceito. Exemplo: “Como funciona o marketing de conteúdo?”

  1. Intenção navegacional

Aqui, o usuário já sabe aonde quer chegar. Ele busca uma marca ou site específico. Exemplo: “Login Netflix” ou “site da Receita Federal”.

  1. Intenção transacional (ou comercial)

O usuário está prestes a tomar uma ação: comprar, contratar, assinar. Exemplo: “melhor celular até 2000 reais” ou “assinar plano do Spotify”.

Entender esses três tipos de intenção é o ponto de partida para criar conteúdo que realmente aparece e serve ao que as pessoas estão buscando.

O impacto da IA na busca e no SEO

Com a chegada da inteligência artificial generativa, como o Google SGE (Search Generative Experience), ChatGPT, Gemini e outras plataformas, a forma de pesquisar está mudando. Agora, os buscadores não apenas exibem resultados, mas entregam respostas diretas usando IA.

No Google, por exemplo, os resultados gerados por IA já aparecem antes mesmo dos anúncios pagos. Só depois vêm os resultados orgânicos. Isso parece assustador? Talvez. Mas veja por outro ângulo.

A IA depende do SEO e não o contrário

Engana-se quem pensa que a inteligência artificial “matou” o SEO. Na verdade, ela precisa dele para existir.

Para entregar uma resposta ao usuário, a IA busca nas informações já publicadas na internet. Ela analisa artigos, páginas, blogs, produtos, serviços e dados, ou seja, ela se alimenta de conteúdo indexado, otimizado e bem estruturado. E quem garante essa estrutura e otimização? O bom e velho SEO.

Se o seu conteúdo for de qualidade, inovador, bem escrito e otimizado, a IA vai encontrar sua página e entregá-la ao usuário, talvez até em forma de resposta direta, ou como sugestão de leitura complementar. É aí que sua marca, produto ou serviço ganha visibilidade, relevância e autoridade.

O retorno do conteúdo orgânico ao topo

Ironicamente, a IA está ajudando a devolver os resultados orgânicos ao topo da SERP (Search Engine Results Page). Afinal, quando a IA puxa uma resposta, ela não está inventando nada, está apontando o que há de mais relevante publicado. E isso vem de onde? Dos sites bem posicionados organicamente.

Ou seja, o SEO está mais vivo do que nunca, mas agora com uma missão muito mais estratégica: criar conteúdo útil, profundo, bem estruturado e alinhado com a intenção de busca.

O SEO vive!

Em um ambiente em constante transformação, o SEO continua sendo pilar essencial do marketing digital. A diferença é que, agora, ele não vive mais de truques e palavras repetidas, ele vive de adaptação, estratégia e valor real entregue ao usuário.

Se Darwin estivesse vivo hoje e trabalhasse com marketing, ele provavelmente diria:

“Não é o site mais antigo, nem o mais bonito que sobrevive, é o que se adapta melhor às novas formas de busca”. Concorda?

(Colaboração de Marcos Pitta, formado em jornalismo pelo Imesb, e em produção audiovisual pelo Centro Universitário Barão de Mauá. É pós-graduando em Marketing Digital pela Barão de Mauá e atua há 7 anos com marketing digital, sendo atualmente gerente do departamento de SEO na RGB Comunicação, em Ribeirão Preto. Também é jornalista da Gazeta de Bebedouro).