A mentira vira política de governo

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Antonio Carlos Álvares da Silva

Escrever sobre política econômica brasileira é cada vez mais um trabalho de legista (Rolf Kuntz)

A operação “Lava Jato”, montada pela justiça de Curitiba, para apurar corrupção na Petrobras, tomou proporções gigantescas. Na semana passada, vários diretores de empreiteiras, que prestaram serviços à empresa pública, foram presos. A acusação: pagar propina a executivos da estatal, que financiavam políticos do PT, PMDB e outros partidos da coligação, que apoia o governo. Foi noticiado, que o diretor da Petrobras, indicado por José Dirceu, e o agenciador Fernando Baiano, cria de Renan Calheiros, eram os principais negociadores. Apesar dos fatos mostrarem, que os funcionários da Petrobras e os políticos acusados de se beneficiarem do desvio de dinheiro, serem todos ligados ao governo Federal, Dilma e seus assessores, desde a campanha eleitoral, vêm se apresentando, como os iniciadores das investigações, que apontaram os culpados e trabalham, para sua punição. Lula e sua sucessora se apresentam na TV, como os saneadores da Petrobras… Os salvadores da pátria e do nosso petróleo. O fato de os corruptos e os beneficiários da fraude serem todos do governo foi considerado um pequeno detalhe. O pessoal do nordeste, que acha bonito político roubar, ficou até decepcionado. Mas, os políticos farsantes sempre correm um risco: Existir um abelhudo, com boa memória. E aconteceu: Foi lembrado, que em 2010, último ano do governo Lula, a lei orçamentária atendeu a uma recomendação do Tribunal de Contas da União – TCU – e aprovou o bloqueio dos pagamentos de contratos da Petrobras, porque eles estavam superfaturados. Mas, o gigante Lula vetou esse dispositivo da lei e autorizou todos os pagamentos. Dilma estava de inteiro acordo com esse veto, porque ele foi enviado ao Congresso pela Casa Civil da presidência e ela era a chefe dessa Casa Civil. Com isso, contra o parecer do TCU foram liberados 13,1 bilhões de reais, para pagamento das empreiteiras da Petrobras. Seria de se esperar, que Lula e Dilma, mesmo vetando, mandassem apurar a razão porque o TCU aconselhou a suspensão dos pagamentos. Mas não, desde 2010, nenhuma providência foi tomada nesse sentido. Somente, quando Alberto Youssef, foi preso, em 2014, acusado de operar um esquema de desvios na Petrobras, é que o governo resolveu se manifestar. Aliás, o nome Alberto Youssef rima com Dilma Roussef. Seria apenas uma coincidência se não fosse tão trágico. Para quem gosta de ilações, o governo repete a todo momento sua iniciativa de apurar os desvios. Mas, quando a oposição resolveu pedir uma CPI, para apurar as fraudes na Petrobras, sua bancada no Senado fez de tudo, para bloquear a CPI. Aqui entre nós, acho que o governo acha os brasileiros uma manada de idiotas.
Que dizer da atitude da Petrobras de manter na diretoria Renato Duque, até ele ser preso pela Justiça? A situação está se complicando cada vez mais. A auditoria externa PWC se recusou a assinar a publicação dos dados financeiros da empresa, enquanto não forem apurados os superfaturamentos. A Justiça americana iniciou investigações, porque a Petrobras vende ações na Bolsa de Nova York a compradores americanos. Com uma dívida de 307 bilhões de dólares a Petrobras precisa vender tais ações, para financiar suas atividades. Marta Suplicy mandou uma carta de demissão do ministério, que ocupava, fazendo inúmeras críticas à política econômica do governo. Nesse quadro Dilma embarcou para Austrália, para reunião do G-20, como nada estivesse acontecendo. E Lula circula lampeiro, sem ligar para o gosto da farinha. A desgraça é que pode piorar ainda mais!
(Colaboração de Antonio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense).

Publicado na edição nº 9775, dos dias 22, 23 e 24 de novembro de 2014.