

Nas primeiras décadas do século XX as maiores cidades do estado de São Paulo viam surgir seus primeiros edifícios, dando início a um processo de verticalização arquitetônica que se tornaria um dos principais símbolos de modernização urbana. São exemplos deste processo na capital, o Edifício Guinle, com 7 andares, inaugurado em 1916; o Sampaio Moreira, com 12 andares, em 1924; e o Martinelli, com 30 andares, em 1929. No interior do estado, entre os pioneiros incluem-se o Santana, em Campinas; e o Diederichsen, em Ribeirão Preto, ambos com 6 andares e inaugurados em 1936.
Na condição de cidade de médio porte, em Bebedouro o processo de verticalização demorou mais algumas décadas para ter início, mas a sociedade ansiava por isso, tendo em vista a expectativa de ver a cidade figurar entre as mais progressivas do interior.
Foi neste contexto que a cidade viu surgir seu primeiro edifício, conforme informava o jornal “Voz de Bebedouro”, em edição de dezembro de 1959. “Vai surgir nosso primeiro prédio de apartamentos”, era a manchete da notícia que a Construtora Pioneira Ltda., firma representada pelo sócio e responsável direto, Dr. João Cosmo Festozo, havia dado início à construção do prédio, cuja parte térrea seria destinada a lojas e os quatro pavimentos acima seriam destinados a apartamentos residenciais.
O nome “Edifício Pimentel” vinha a ser uma homenagem ao seu condômino e idealizador, Mauro Pimentel, sendo o prédio construído com frente para a Praça Monsenhor Aristides, na esquina com a Rua Oscar Werneck, ao lado da sede social do Bebedouro Clube. O prazo para entrega da construção era de quinze meses, sendo que as lojas do pavimento térreo pertenceriam ao condômino, Mauro Pimentel, e os apartamentos seriam vendidos aos interessados.
Quando do início da construção, apenas um dos seis apartamentos ainda não havia sido vendido, e o periódico citado felicitou: “Nossos parabéns aos empreendedores desta obra grandiosa que virá modificar o aspecto urbanístico de nossa cidade, bem como enfeitar aquele recanto, onde existia um prédio velho e antiquado, demonstrando assim a pujança e o surto de progresso de nossa terra. Bebedouro cresce em todos os sentidos. Oxalá encontre este empreendimento muitos imitadores. Fazemos um apelo aos capitalistas para que tomem isto como exemplo e que logo depois do Edifício Pimentel surjam outros edifícios para modernizar e engrandecer nossa cidade”.
No entanto, somente no final da década de 1970 é que viriam a ocorrer o lançamento de projetos de outros edifícios para fins residenciais e comerciais com dez ou mais andares, efetivando o processo de verticalização do espaço urbano bebedourense.
A partir de então foram publicadas na imprensa local diversas peças de propaganda de empresas imobiliárias da cidade e de outras localidades, anunciando projetos de alto padrão arquitetônico que seriam levantados em diferentes pontos, principalmente na região central.
Nem todos os lançamentos foram bem-sucedidos, pois, embora houvesse déficit de imóveis de melhor padrão, tendo em vista seu o período de auge da citricultura, ainda havia considerável resistência em relação aos prédios verticais, cujas construções representavam uma verdadeira quebra de paradigmas, além dos altos custos envolvidos.
Entre os projetos de prédios residenciais que foram viabilizados e finalizados, o primeiro a ser inaugurado, em outubro de 1983, foi o Conjunto Residencial das Nações, erigido pela Construtora Balbo, de Ribeirão Preto, e constituído pelos edifícios Canadá e Itália, ambos de dez andares e com dois apartamentos por andar, localizados na esquina da avenida Raul Furquim com a rua Duque de Caxias.
Entre os projetos de caráter comercial, o primeiro a ser construído foi o Edifício Augusto Toller, localizado na praça Barão do Rio Branco, por iniciativa da empresa bebedourense Mahle Toller Construção Civil Ltda, tendo sido inaugurado em outubro de 1989.
Desde então, diversos outros edifícios de andares foram construídos, tanto na região central como em bairros, promovendo significativa mudança na paisagem urbana bebedourense.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.931, de quinta a sexta-feira, 19 a 27 de junho de 2025 – Ano 101




