

Em 17 de junho de 1928 um grupo de jovens comerciários se reuniu em assembleia no salão do Círculo Italiano com o objetivo de fundarem uma entidade para defender os interesses da classe, o que resultou no surgimento da “Associação dos Empregados no Comércio de Bebedouro” – AECB.
Na ocasião foi eleita a primeira diretoria, que ficou assim organizada: presidente: Fuad Kfouri; vice-presidente: João Soares Oliveira; 1º secretário: Alberto Fernandes; 2º secretário: Francisco Martinez; 1º tesoureiro: Antônio Viola; 2º tesoureiro: Sebastião de Oliveira; bibliotecário: Joaquim Moreira Macedo; orador oficial: Dr. José Veríssimo Filho.
Foi eleita também a mesa de assembleias gerais, formada pelos seguintes membros:
presidente: Estácio Caldeira Cardoso; vice-presidente: Paulo Silva; 1º secretário: Irineu Novaes; 2º secretario: Isdemo Zucchi.
Inicialmente a sede social da AECB localizava-se na rua Rubião Júnior, no 63, sendo transferida em 1930 para rua São João, no 39, no prédio do Theatro Rio Branco. No período em que funcionou neste endereço, os bailes, inclusive os de carnaval, eram realizados no salão do Teatro, de onde as cadeiras eram retiradas para facilitar a participação dos dançarinos e carnavalescos.
Posteriormente, em 1936, mudou-se para Praça Barão do Rio Branco, no 77, na esquina das ruas Francisco Inácio e XV de Novembro, onde funcionara os escritórios da Estrada de Ferro São Paulo-Goiás. O prédio passou por completa reforma, sendo inaugurado em meados do ano com sessão solene, tendo como diretor José de Paula Ferreira.
Nos primeiros anos, uma das principais promoções da Associação eram os campeonatos de pingue-pongue, nos quais se destacaram vários esportistas como Adib Kfoury, Nascibo Issa e Clarimundo Rodrigues, entre outros. Os saraus dançantes, bailes e participações nos carnavais de rua e de salão também tiveram destaque.
No final da década de 1960, foi construída em terreno nos fundos da sede social a piscina da Associação que garantiu muita diversão aos associados até que ocorresse a construção do clube de campo. Em 10 de novembro de 1968, após o corte da fita inaugural pelo vice-prefeito, Odilon Campos Quadros, a piscina foi entregue aos sócios pelo presidente da AECB, deputado Dr. Pedro Paschoal. À noite ocorreu a inauguração da iluminação, seguida de coquetel dançante.
Em 1977, às vésperas do cinquentenário, a diretoria da Associação, sob a presidência de Rubens Carlos Sani, noticiou a compra de terreno de 78.000 metros quadrados, localizado na Variante Hamleto Stamato, para a construção da sede de campo. Em abril de 1981, eram inaugurados o conjunto aquático e poliesportivo, incluindo quadra de vôlei aquático, piscina semiolímpica, piscinas infantis, duas quadras de futebol de salão, basquete e vôlei, quadra de bocha e de malha, sendo anunciada a inauguração posterior do campo de futebol society e do lago artificial.
No início da década de 1980, a Associação parecia estar no auge, com significativo aumento do quadro associativo, que chegou a ter cerca de três mil sócios, sendo que muitos frequentavam assiduamente as instalações da sede social e do clube de campo, além de prestigiarem os vários eventos especiais que eram promovidos.
No entanto, na década seguinte, o clube passou a enfrentar várias dificuldades em decorrência de grande endividamento que incluía questões trabalhistas, INSS, fornecedores e bancos. Tal situação resultou na perda da sede social por conta de leilão para pagamento de parte das dívidas, o que não impediu que no início de 2005 um novo edital de leilão fosse publicado pela Justiça, desta vez incluindo todos prédios e equipamentos de lazer e esportivos do clube de campo.
Apesar das tentativas da diretoria de evitar a perda, por meio de parceria com a Associação dos Funcionários Públicos Municipais ou transferindo o clube em comodato para o Serviço Social do Comércio – SESC, o patrimônio foi levado a leilão e adquirido pela Comunidade Evangélica Igreja da Família – CEIFA, que instalou no local o Centro de Treinamento Missionário – CTM, após reforma das instalações que permaneceram desativadas por vários anos.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.957 de sábado a terça-feira, 4 a 7 de outubro de 2025 – Ano 101




