
Ninguém está ileso diante das emergências climáticas. Embora as vítimas preferenciais sejam os pobres, os desvalidos, os excluídos, os abonados também serão atingidos pela rebelião da natureza.
O aquecimento global e os períodos de eventos extremos que se tornaram comuns nos últimos anos, afetam toda a produção da lavoura. A fase de ufanismo porque o agronegócio é “a salvação da lavoura” já passou. Agora, depois de desmatamento e de seca, as pastagens não produzem capim suficiente para alimentar o gado. O resultado é ser enviado mais cedo aos abatedouros e redução dos rebanhos. Isso eleva os preços da proteína a níveis recordes.
A marcha ascendente dos preços ilustra o fenômeno da inflação climática, a indicar que secas, ondas de calor, inundações e incêndios florestais elevam os preços de tudo. Desde seguros residenciais até alimentos.
A seca tem recrudescido. O regime de chuvas é irregular. Em vez daquela queda suave de água essencial a permitir o desenvolvimento da lavoura e a suprir os lençóis freáticos, vem a hecatombe de precipitação pluviométrica de todo um mês, em algumas horas de um determinado dia. Em seguida, ondas de calor terrível.
O impacto em longo prazo é redução drástica da capacidade de produzir, e a preocupação é global. Cada vez mais partes do mundo vão se tornar impróprias ao cultivo. E o que é que as pessoas comerão quando ficarem sem alimentos provindos da lavoura?
O remédio, aqui no Brasil, é levar a sério a urgência de regeneração das pastagens abandonadas, que se convertem nos indesejáveis desertos. Há milhões de hectares disponíveis e vive-se no solo abençoado em que “em se plantando, tudo dá”. Oportunidade para recuperar espécies arbóreas ameaçadas de extinção. Todos têm a ganhar com o replantio. A saúde física e mental, a temperatura, o regime de chuvas, a fauna e a flora, a paisagem e o reequilíbrio da fragilidade dos lençóis freáticos.
Agro: muito juízo! Você também será vítima do cataclismo climático!
O plantador de árvores
Ele existe. Não é lenda. Chama-se Hélio da Silva e, sozinho, conseguiu fazer o primeiro grande corredor ecológico da capital paulista, por muitos chamada de “selva de pedra”.
Seu amor pela natureza o moveu e continua a mover. Hoje são quarenta e três mil árvores plantadas ao longo de um córrego que estava praticamente morto. O projeto Tiquatira já mereceu reportagens nacionais e internacionais. E o “Seu” Hélio continua na labuta. Quer chegar às cinquenta mil árvores. E chegará.
O local merece uma visita. Ele enfrentou dificuldades e incompreensões. Muitas vezes, as árvores plantadas eram arrancadas. Por maldade e ignorância. Caminham sempre juntas. Mas ele não desistia. Plantava de novo.
Hoje, o trecho atrai visitas e é o preferido para as caminhadas dos moradores da região Leste. O exemplo de Hélio da Silva é a demonstração mais evidente de que uma só pessoa, se quiser, tiver idealismo, entusiasmo e vontade, pode mudar o mundo para melhor.
Quando sabemos que o Brasil se destacou nas últimas décadas por ser uma pátria de “fabricantes de desertos”, é confortador encontrar exemplos como o do “Seu” Hélio. Vale a pena incentivar outras pessoas a que façam o mesmo. Quem quiser saber mais sobre o bosque Tiquatira, pode consultar o blog oplantadordearvores.bogspot.com.br ou se contactar com Hélio da Silva pelo e-mail plantadordearvores@gmail.com
Depois disso, mãos à obra. Todos os municípios do Brasil precisam de árvores. Quem quer replicar esse paradigma tão edificante em sua cidade?
A natureza agradecerá e, mais do que isso, garantir-se-á melhores tempos para as novas e futuras gerações, gravemente ameaçadas de uma vida inóspita se o desmatamento continuar e, com ele, o aquecimento global, o causador das emergências que agora já estão sendo chamadas “cataclismo climático”. Enquanto há esperança, vamos agir!
(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo).
Publicado na edição 10.960, quarta, quinta e sexta-feira, 15, 16 e 17 de outubro de 2025 – Ano 101





