Agronegócio sustentável

José Mário Neves David

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O agronegócio brasileiro é um dos motores da economia nacional. Responsável por aproximadamente 23% do Produto Interno Bruto (PIB) e quase a metade das exportações brasileiras, o setor contribui para a consolidação do país como um dos maiores fornecedores globais de alimentos. Essa posição reforça o Brasil como um player estratégico global, alinhando produção abundante, constante e de qualidade.

 

Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que a produção de grãos em 2025 deve atingir a marca de 333 milhões de toneladas, com destaque para a soja (168 milhões) e o milho (127 milhões). O PIB do setor deve ultrapassar R$ 3,7 trilhões, com crescimento esperado de 5% em relação a 2024. São números substanciais que, apesar dos desafios geopolíticos, políticos e climáticos atuais, demonstram a solidez e competência do setor em crescer de forma perene.

 

Além da competência dos produtores brasileiros, que através da aplicação de tecnologia e da busca por eficiência, entregam recordes produtivos a cada ano, técnicas e modelos sustentáveis de produção têm contribuído de maneira relevante para os números apresentados pelo setor – e, também, gerado benefícios para o planeta. São práticas que reduzem custos a longo prazo e geram ganhos diretos e indiretos para a sociedade brasileira e mundial.

 

Um dos exemplos mais difundidos de produção sustentável é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que reúne recursos e técnicas que diversificam a produção, melhoram o uso do solo e reduzem a pressão sobre áreas naturais. O famoso “ganha-ganha”. Outros modelos são o plantio direto e a agricultura regenerativa, que preservam o solo, aumentam a retenção de carbono e, por consequência, diminuem a necessidade de aplicação de insumos químicos. Um ganho financeiro e ambiental.

 

Há, ainda, projetos que promovem a gestão hídrica eficiente, monitorando e otimizando o uso da água em propriedades rurais, o que gera elevação da produtividade e economia no uso desse recurso basilar para a vida no planeta. A aplicação de tecnologia e automação na produção, através de ferramentas de IoT (“internet das coisas”, em português), inteligência artificial e agricultura de precisão, também promove otimização de recursos e redução de desperdícios, com consequente ampliação da competitividade e utilização de práticas menos agressivas ao meio ambiente. Nesse contexto, destacam-se também os bioinsumos e o controle biológico, que representam alternativas aos agroquímicos e possibilitam ciclos mais saudáveis nos sistemas produtivos.

 

Todas essas iniciativas, somadas aos dados de preservação ambiental no Brasil e às exigências legais de proteção aos ecossistemas nacionais, que colocam a legislação brasileira dentre as mais rigorosas do planeta, colocam nosso país na vanguarda da produção agropecuária sustentável, o que possibilita aumento da produção sem degradação ambiental e a abertura de novos mercados no mundo para os produtos brasileiros.

 

Para discussão desses e outros importantes temas, convidamos todos os interessados a participarem do II Congresso Bebedourense de Meio Ambiente e Agronegócios, que será realizado nos dias 17 e 18 de setembro, a partir das 18h, na Casa da Advocacia de Bebedouro, e no dia 18 de setembro, a partir das 14h, na Fundação Coopercitrus Credicitrus. As inscrições são gratuitas e limitadas, e a programação completa e o link para inscrição estão disponíveis no endereço www.cbmaa.com.br. Nos vemos lá.

 

(Colaboração de José Mário Neves David, advogado, conselheiro e professor. Contato: jose@josedavid.com.br).

Publicado na edição 10.951 de sábado a terça-feira, 13 a 16 de setembro de 2025 – Ano 101