

Criado no final do século XIX, o Cemitério Municipal São João Batista não possuía nas primeiras décadas, espaço específico dedicado às celebrações religiosas católicas, mesmo considerando sua predominância.
Somente no final do decênio de 1940 é que teve início o movimento pela construção da capela na necrópole local, sendo reunidos recursos advindos de donativos dos fiéis e de parte da renda da Festa de São João Batista, realizada no ano anterior, o que se repetiu no ano seguinte.
Desta forma, iniciadas as obras em abril de 1950, a capela localizada na entrada principal do cemitério foi originalmente dedicada à Santo Antônio de Pádua, sendo inaugurada em 2 de outubro de 1951, em solenidade presidida por D. José Varani, bispo da diocese de Jaboticabal, acompanhado pelo Frei Marcelo Manilia, responsável pela paróquia bebedourense e de quem partiu a iniciativa da construção.
No Livro do Tombo da Paróquia de São João Batista, ficou registrada a benção da feita pelo Bispo, conforme reproduzido no livro que aborda sua história, de autoria do padre Marcelo Cervi: “à noite, no Cemitério, benzemos a nova Capela; dissemos aos numerosos fiéis presentes uma palavra sobre a morte e o sufrágio das almas do purgatório e presidimos à absolvição geral dos defuntos”.
Durante a construção os católicos fizeram diversas doações para paramentar a capela, como foi o caso do altar principal, doado pela fazendeira Manoela Bilória, viúva de Santiago Bilória. Em 1958 foi iniciada campanha para doação de paramentos, que angariou toalhas, vasos, cortinas, floreiras e outras peças. Em 1962 foi instalado o sino doado pela empresa Macedo & Areias.
Em 1969, as duas paróquias locais, de São João Batista e Nossa Senhora Aparecida, que fora criada em 1960, se uniram com o objetivo de restaurar a referida capela. Ficou definido que as atividades religiosas, despesas e recursos seriam divididas entre ambas, conforme nota publicada na edição de 18 de fevereiro de 1968 da Gazeta de Bebedouro, assinada pelo vigário Frei Antônio Preto.
Nova reforma foi iniciada em 2016, com o objetivo de construir em seu interior um jazigo para os padres, com capacidade tumular para seis pessoas e ossuário com 12 lugares. A partir de então passou a ser denominada como “Capela da Paz”, sendo abençoada a 6 de novembro daquele ano pelo bispo diocesano D. Eduardo Pinheiro da Silva.
Na parede lateral da direita foram afixadas algumas placas informativas com fragmentos da história da capela, sobre a reforma que fora realizada e indicação dos padres ali sepultados, conforme segue:
– Monsenhor José Figuls y Bonvehi: nascido em 5 de fevereiro de 1926, em Manresa, na Espanha, após permanecer cerca de 12 anos no seminário, foi ordenado em 15 de julho de 1951, ainda no país natal. Vindo para o Brasil em 1957, passou pelas paróquias de Jaborandi e Colina, até assumir a recém-criada Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, dando continuidade às obras da Igreja Matriz. Entre outras realizações, foi responsável pela criação das paróquias de Santo Inácio de Loyola, São Pedro Claver e São Judas Tadeu. Faleceu em 13 de novembro de 2018, sendo o primeiro religioso a ser sepultado no jazigo dos padres.
– Cônego Pedro Paulo Scannavino: nascido em Barretos em 29 de junho de 1938, iniciou os estudos eclesiásticos em Jaboticabal e depois de ter passado por outros centros de formação, foi ordenado em 5 de julho de 1964. Como pároco, passou por paróquias de Guariba, Pitangueiras e Taquaritinga, até assumir a Paróquia de São João Batista entre 1981 e 2002. Faleceu em 18 de outubro de 2019, sendo o segundo padre a ser sepultado no interior da Capela da Paz.
– Monsenhor Antônio Antunes de Cordova: nascido em 13 de setembro de 1893, em Lages, Santa Catarina, realizou os estudos eclesiásticos no seminário de Botucatu, cidade onde ocorreu sua ordenação sacerdotal, em 15 de agosto de 1929. Dois anos após ter sido transferido para Ourinhos, faleceu em 18 de julho de 1937, na Santa Casa de Bebedouro, onde passou por delicada cirurgia. Sepultado no cemitério local, passou a ser reverenciado como um santo popular, pois o seu jazigo minava água, o que levava muitas pessoas a verem-no como um milagreiro. Em 2021, seus restos mortais foram transladados para o jazigo dos padres.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.943, de sábado a sexta-feira, 9 a 15 de agosto de 2025 – Ano 101




