
A formação inicial do Distrito de Botafogo está relacionada com o processo de ocupação da região de Bebedouro no final do século XIX, sendo que em 1885 já eram registrados os primeiros proprietários rurais no bairro de Botafogo: Manoel Tavares, Antônio Tavares e Quintino Tavares, este considerado o responsável pela primeira plantação de café.

Entre os nomes que remetem aos primeiros tempos do Distrito, destaca-se o do Capitão Francisco Lopes de Souza, considerado o fundador de Botafogo em 1908, pois em suas terras teria sido construída a capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida e, em torno desta, as primeiras casas que dariam origem à vila. O Capitão Francisco Lopes também alcançou projeção no campo político, tendo exercido a função de vereador por quatro mandatos, entre 1910 e 1923.
O ano de 1911 representa um marco na história de Botafogo, quando ocorreu a inauguração da estação ferroviária pela Estrada de Ferro São Paulo-Goiás. A chegada dos trilhos à Botafogo possibilitou um significativo crescimento da Vila, com aumento populacional, abertura de estabelecimentos comerciais e novos empreendimentos agrícolas.
Desta forma, no início da década de vinte do século passado, a povoação possuía cerca de 145 construções e pouco mais de quatro mil habitantes, o que possibilitou que fosse criado o Distrito Policial de Botafogo, em 6 de outubro de 1920.
Estes e outros fatores contribuíram para que as principais lideranças locais solicitassem ao governo do Estado a transformação da Vila em Distrito de Paz, o que ocorreu por meio do Decreto Lei no. 1.865, de 31 de agosto de 1922, com a definição das divisas territoriais. Concomitantemente foi criado o Distrito de Paz de Turvínia, ambos no município e comarca de Bebedouro.
Na mesma data da conquista do status de Distrito de Paz, ocorreu também a criação do Cartório de Registro Civil de Botafogo, sendo o seu primeiro titular Amphilophio Manoel, filho do Coronel João Manoel, influente político de Bebedouro e região.
Outro indicador do crescimento do povoado refere-se à construção de uma nova estrada de automóvel entre Bebedouro e Botafogo no ano de 1923. Esta estrada se iniciava no distrito sede, no final da Rua Alfredo Ellis, hoje Rua Oscar Werneck, trecho que corresponde à Avenida Pedro Hortal, seguindo pelo bairro Três Marias até alcançar a povoação de Botafogo.
A demanda pela educação escolar resultou no surgimento das primeiras escolas em maio de 1897, sendo duas escolas de ensino primário, uma para cada sexo, no bairro de Botafogo. Em 1922 ocorreu a criação das Escolas Reunidas de Botafogo, com o funcionamento de quatro classes, em um único período, em prédio localizado junto à estação ferroviária daquele Distrito.
Na década seguinte esta unidade escolar teve seu nome alterado para Grupo Escolar de Botafogo, tendo como patrono, a partir de 1956, o professor “Gustavo Fernando Kuhlmann”.
No âmbito religioso, se destaca a criação da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em 1964, que passou a abranger toda a área urbana e rural dos distritos de Botafogo e Turvínia. Inicialmente, a Paróquia funcionou no antigo templo já existente, mas devido ao receio do desmoronamento da torre da igreja, a comunidade católica local se mobilizou pela construção de um novo prédio, o qual foi inaugurado em 1977. Curiosamente, a antiga igreja foi demolida, exceto a torre, que apesar da ameaça de ruir, foi mantida e permanece preservada até os dias atuais. Anualmente, acontece em outubro, a tradicional festa dedicada à padroeira, que reúne moradores da área urbana e rural do Distrito e de toda a região.
Outra tradição presente na história do Distrito refere-se ao Botafogo Futebol Clube, existente desde as primeiras décadas do século XX e que desde sua formação reuniu a comunidade botafoguense nas atividades promovidas em prol do futebol amador.
Embora desde os primeiros tempos de sua história Botafogo fosse servido por estradas que faziam a ligação com as localidades mais próximas, a chegada da ferrovia, no início da década de 1910, fez com que o transporte ferroviário fosse preponderante até os anos de 1950. Nesta década, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro adquiriu da Estrada de Ferro São Paulo-Goiás o trecho que incluía a estação do Distrito e fez alguns investimentos, mas a concorrência com o transporte rodoviário resultou no fechamento do ramal no ano de 1969, com a retirada dos trilhos e a demolição da estação local.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, historiador e professor bebedourense).
Publicado na edição 10.722, de sábado a quarta-feira, 17 a 21 de dezembro de 2022.





