Após a criação, a instalação dos distritos de Turvínea e Botafogo

José Pedro Toniosso

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Projetos de no. 66 e 67 de 1921 da Câmara dos Deputados do Estado de São Paulo, que resultaram na criação dos distritos de Turvínea e Botafogo, em 31 de agosto de 1922, sendo a instalação oficial de ambos em 7 de janeiro de 1923 .Foto: acervo do autor.

Pertencentes ao município de Bebedouro, Turvínea e Botafogo se formaram a partir do século XIX e devido ao crescimento populacional e a atuação de lideranças as duas vilas foram transformadas em distritos de paz na mesma data, em 31 de agosto de 1922, por meio dos Decreto-Lei no. 1.864 e 1.865, respectivamente.

Sequencialmente, em 14 de dezembro do mesmo ano, ocorreram as eleições municipais para escolha dos vereadores do município e juízes de paz, sendo três para o distrito sede (Bebedouro) e mais três para cada um dos distritos recém-criados. Conforme já era esperado, todas as vagas foram preenchidas por candidatos do Partido Republicano, então sob a chefia do Cel. João Manoel.

Para Turvínea, os eleitos foram o lavrador José Firmino Carlos; o lavrador Antônio Rodrigues de Oliveira; e o agricultor José Joaquim de Freitas, com 39, 28 e 24 votos, na mesma ordem.

Quanto a Botafogo os eleitores escolheram como juízes de paz o lavrador Francisco Lopez de Souza; o engenheiro Antônio Corrêa Ferraz Júnior, e o lavrador Francisco Ramos da Costa; com 35, 30 e 27 votos, respectivamente.

Realizadas as eleições, o próximo passo foi as instalações dos distritos, ambas ocorridas no dia 7 de janeiro de 1923, tendo comparecido autoridades e convidados, além de representantes dos jornais, “A Vanguarda” e “Jornal de Bebedouro”.

Primeiramente deu-se a instalação do distrito de Turvínea, cuja solenidade ocorreu na residência do primeiro escrivão, Pacífico Caldeira, tendo sido registrado as presenças do cel. João Manoel, cel. Conrado Caldeira, cap. Cícero da Silva Prates, cap. Joaquim de Lima Carvalho, Antônio Roiz de Oliveira, Adriano Garrido, Múcio Manoel, José de Moraes Filho, José Firmino Carlos, Lauro Prates, Viriato Oliveira, cap. José Nicolau, prof. Joaquim Ferreira de Toledo, Lucas Evangelista e José Torres. Foram apontadas também as presenças de algumas mulheres, como Tharcilla e Andréa Prates, Eunice Vasconcellos, Julieta Caldeira, profa. Jacyra Torres de Toledo e Mathilde de Oliveira.

Após o discurso oficial do Juiz de Direito da Comarca, dr. João Nogueira de Sá, ouviu-se algumas execuções da Banda Democrata, seguidas do lançamento de fogos de artifício. A todos os presentes foi servido um jantar, acompanhado de vinhos, licores e champagne.

Sequencialmente procedeu-se a instalação do distrito de paz de Botafogo, sendo a solenidade realizada nas Escolas Reunidas com a presença de muitos convidados, entre os quais foram registrados: Antônio Lourenço Bailão, Maximiliano Sandrini, Sebastião Ramos, farmacêuticos Américo Spínola Gama e Evaristo Campista, Avelino Ribeiro, José A. Gama, Carlos Ferreira Neves, Joaquim Bernardes de Castro, Manoel Dias, Olympio Lopes, Ormindo Ribeiro, Manoel Teixeira, prof. Elyseu Chagas, Jorge Kfoury, João Washington, Miguel Conceição, dr. Mário Caldas, Pedro Motta, João Luiz Almeida, Luiz Bernardo Couto, Joaquim dos Santos, Dermeval Baptista, Bento Alves Penteado, Filemon Borges, Olympio Souza Pereira, Antônio José Soares, Pedro Zoriatti, Phelippe Ricci, Gibrão Kfoury, Jayme Macuco, cap. Francisco Lopes de Souza, dr. Antônio Corrêa Ferraz Junior, Francisco Ramos Costa, João Spinola Gama, Nagib M. Burjaili, Ricardo Camargo Moura, Isidoro, João e José Wauters, Assef Kfouri, Elias Kfoury, Salim Casse,  Armando Lainette, Nagib Kfoury e João Cotrim. Entre as mulheres registro de Conceição Ramos, Maria Queiroz, Benedicta Pereira, Esmeralda Garrido, Julieta Gillioli, Ignez Maggioli, Benedicta de Moura, Sinhá Spinola, Nabia Kfoury, Yollanda Cividanes, Maria de Moura, Margarida Teixeira, Delphina Ramos, Genny Campita e Dolores Cividanes.

A solenidade teve início com a lavratura dos termos de instalação do novo distrito e, em seguida, ocorreu a posse dos três juízes de paz eleitos, sendo nomeado como escrivão interino Amphilophio Manoel, filho do cel. João Manoel. Em seguida, o Juíz de Direito fez uso da palavra e, concluindo, foi servido aos presentes uma mesa de doces, licores e champagne.

Com o início das atividades do cartório de paz de Botafogo o primeiro nascimento registrado foi da menina Celeste, filha de Eduardo Costa e Maria da Silva; o primeiro óbito foi o do menor Waldomiro, filho de Américo Ribeiro e Rita Barbosa, enquanto o primeiro proclama de casamento foi do casal Elias Caetano e Augusta de Melo.

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.946, de sábado a sexta-feira, 23 a 29 de agosto de 2025 – Ano 101