Aprender para permanecer no jogo: o Brasil que descobre o valor da longevidade

Bruna Momente Covielo Assunção

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De programas universitários para pessoas idosas a iniciativas de empresas que contratam profissionais com mais de 50 anos, o país começa a aprender que envelhecer não é parar — é seguir em movimento.

O Brasil está envelhecendo — e isso é uma boa notícia. A expectativa de vida aumenta, a experiência se torna um ativo e a maturidade ganha novos significados. Aos poucos, o país começa a compreender que envelhecer não é parar, mas permanecer em movimento. Essa transformação, que passa pela cultura, pela educação e pelo mercado de trabalho, mostra que o aprendizado e a participação continuam essenciais em todas as fases da vida.

No campo profissional, iniciativas começam a romper barreiras e mostrar que a idade pode ser sinônimo de contribuição e sabedoria. É o caso do programa “Sempre no Jogo”, da Centauro, que incentiva a contratação de profissionais acima dos 50 anos em todas as regiões do país. A ação busca valorizar a experiência acumulada e promover diversidade etária nas equipes, reconhecendo que pessoas mais velhas também são parte da inovação. Em um mundo que muda rápido, ter gerações diferentes trabalhando juntas amplia perspectivas e enriquece o diálogo dentro das empresas.

Na educação, o mesmo movimento se repete. O programa USP 60+, presente em diversos campi da universidade, oferece atividades científicas, culturais e esportivas voltadas a pessoas idosas. Mais do que cursos, o projeto propõe uma convivência entre gerações e reafirma que o aprendizado não tem prazo de validade. Em cada aula, palestra ou oficina, há uma troca constante de saberes: quem ensina aprende, e quem aprende ensina. Aprender aos 60, 70 ou 80 anos é reafirmar a curiosidade, a vitalidade e a presença no mundo.

Mas para que o envelhecimento ativo se torne realidade para todos, é preciso começar cedo. Falar sobre envelhecer nas escolas, incluir a temática da longevidade nos currículos e incentivar o respeito e a empatia entre as idades são passos fundamentais. Educar para o envelhecer é preparar as novas gerações para viver a própria longevidade de forma saudável, consciente e coletiva.

Mais do que um fenômeno demográfico, o envelhecimento é um processo cultural. A sociedade do futuro será intergeracional, construída na troca entre crianças, jovens, adultos e idosos. Nela, a experiência deixa de ser vista como fim e passa a ser reconhecida como sabedoria. Porque envelhecer, no fundo, não é sair do jogo — é aprender a jogar de outro jeito, com mais calma, propósito e significado.

(Colaboração de Bruna Momente Covielo Assunção, cursando Especialização em Gerontologia no Instituto Albert Einstein).

Publicado na edição 10.960, quarta, quinta e sexta-feira, 15, 16 e 17 de outubro de 2025 – Ano 101