

Em uma época em que ainda não existiam supermercados, os consumidores bebedourenses recorriam aos diversos armazéns e mercearias que estavam espalhados por toda a cidade e ofereciam grande variedade de mercadorias, as quais eram denominadas de forma genérica como “secos e molhados”.
Durante muitos anos, ao lado destes estabelecimentos, existiram também as “cooperativas de consumo”, criadas com o objetivo de oferecer aos cooperados produtos de primeira necessidade por preços menores, além de formas de pagamento mais favoráveis. As primeiras que surgiram em Bebedouro eram vinculadas às duas empresas ferroviárias existentes na cidade, as quais possuíam considerável número de funcionários: a Companhia Paulista e a São Paulo – Goiás.
A Cooperativa de Consumo dos Ferroviários da Cia. Paulista de Estradas de Ferro funcionava em um grande prédio localizado na rua Vicente Paschoal, no 386, e atendia exclusivamente aos funcionários e familiares daquela empresa. Os gêneros de primeira necessidade eram adquiridos nos balcões da Cooperativa, sendo as compras contabilizadas para desconto em folha de pagamento, enquanto a entrega nos domicílios poderia ser realizada pelos carroceiros que ficavam nas imediações da loja à disposição.
Existiu também a Cooperativa de Consumo São Paulo-Goiás Ltda, que oferecia secos e molhados, fazendas (tecidos) e armarinhos, além de outros produtos para os funcionários da empresa. Em 1951, em decorrência da aquisição da SPG pela Cia. Paulista, houve a liquidação desta Cooperativa, que então funcionava na rua Rubião Júnior, no 500, sendo a diretoria formada por Elzio de Faccio, Silvio Sessa, Eugênio O. Silva e Oswaldo Rodrigues dos Santos.
Houve ainda uma terceira cooperativa que, no entanto, não era vinculada às empresas ferroviárias. Fundada em 25 de fevereiro de 1945, a Cooperativa de Consumo Popular de Bebedouro Ltda esteve instalada inicialmente na Praça Nove de Julho e depois se transferiu para rua Francisco Inácio, no 438, oferecendo aos seus associados produtos secos e molhados, latarias, louças, ferragens, tecidos, chapéus, calçados, armarinhos e outros. Posteriormente mudou-se para prédio próprio, localizado na rua Dr. Brandão Veras, no 665/673, onde funcionou até o início da década de 1980.
Em 1984 o Conselho Fiscal desta Cooperativa decidiu colocá-la em liquidação como consequência das dificuldades financeiras que vivenciava. A Prefeitura Municipal apresentou proposta para aquisição do imóvel, que foi aceita pelos conselheiros. A intenção anunciada pela municipalidade era promover uma grande reforma para a instalação de uma mini usina de Leite e Farelo de Soja, uma Mini Padaria e um Posto de Abastecimento de gêneros básicos a baixo custo, mas, no entanto, a reforma não ocorreu e tampouco os serviços foram implantados. Posteriormente, o prédio foi demolido e desde então um estacionamento de veículos se encontra instalado no local.
O fechamento das três cooperativas pode ser associado às mudanças ocorridas no comércio e no perfil dos consumidores. A gradativa redução do contingente de trabalhadores nas ferrovias, o aumento da população urbana e o crescimento do mercado consumidor com utilização de novos meios de propaganda, fez com que houvesse a modernização dos estabelecimentos.
Com isso, assim como muitos armazéns e mercearias, as cooperativas deram lugar aos supermercados, caracterizados como locais em que os produtos passaram a ser acessados diretamente pelos consumidores, abolindo os balcões e ampliando o catálogo de mercadorias oferecidas.
Desta forma, o primeiro estabelecimento do gênero a implantar o sistema de autosserviço em Bebedouro foi o Posto de Abastecimento do Sesi, inaugurado em 1964. Nos anos seguintes, surgiram os primeiros supermercados da cidade: “Serv-Pag”, de Eurico Medeiros, em 1966; “Buskajá”, de Wilson Moraes Folsta, em 1968; “Molezim”, em 1971; “Laranjão”, em 1973; Zucca-Serv, em 1974; Ribeiro-Serv, em 1976.
Sequencialmente, diversas filiais de empresas de atuação regional no ramo de supermercados instalaram-se na cidade, com lojas maiores, maior diversidade de mercadorias e opções de serviços.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.959 de sábado a terça-feira, 11 a 14 de outubro de 2025 – Ano 101




