

O processo de formação de Bebedouro teve início na segunda metade do século XIX e gradativamente, ainda na condição de arraial, surgiram os primitivos logradouros que inicialmente não possuíam denominações oficiais, mas eram conhecidos por nomes que faziam referências a moradores, santos católicos ou instituições então existentes.
Embora essa fase inicial, incluindo a data oficial de fundação, 3 de maio de 1884, estivesse vinculada ao período do Império, os processos que possibilitaram a criação do distrito de paz (1892), do município (1894) e da comarca (1896) ocorreram no início da República.
Foi a partir de então, conforme as deliberações da Câmara Municipal, que passou a acontecer a oficialização dos nomes das ruas, praças e outros espaços públicos, tantos daqueles já existentes como os que passaram a ser formados.
Desta forma, apesar da mudança da forma de governo em 1889, personagens, datas e eventos relacionados ao Império foram lembrados quando da nomeação das ruas bebedourenses, como destacamos a seguir:
Independência: diversas ruas foram nomeadas com referências ao processo emancipatório oficializado em 1822. Uma delas, a Sete de Setembro, desde o ano de 1917 passou a denominar a antiga rua Santa Cruz que possibilitava o acesso à estrada para Pitangueiras. Havia ainda a rua da Independência, que por muitos anos foi a denominação da atual rua Lucas Evangelista, assim chamada desde 1940. Atuantes na independência e na organização inicial do Império, os irmãos Andradas também foram lembrados, denominando inicialmente a atual rua Cel. Conrado Caldeira, até a transferência do nome para aquela localizada entre as avenidas dos Antunes e Quito Stamato.
Os monarcas: apesar da importância histórica dos dois imperadores, ambos denominam apenas pequenas ruas de vilas surgidas no contexto de expansão urbana proporcionada pela citricultura a partir da década de 1950. Desta forma, enquanto D. Pedro I designa uma viela na Vila Paula, D. Pedro II nomeia outra, localizada na Vila Maria. Destaca-se que nas primeiras décadas do século passado chegou a existir a rua da Imperatriz, sem indicar qual seria (Maria Leopoldina, Amélia ou Teresa Cristina, consortes dos imperadores). Esta rua, corresponde à atual rua Orlando França de Carvalho.
Militares: duas ruas localizadas na região central homenageiam patronos do Exército brasileiro. Além de militares, General Osório e Duque de Caxias, também tiveram significativa atuação política, defensores da monarquia, foram lideranças em momentos de crise e conflitos, como durante a guerra contra o Paraguai, ocorrida entre 1864 e 1870.
Abolição da Escravatura: até 1926 a data de 13 de maio esteve presente como nome da atual rua Antônio Alves de Toledo, quando a nomeação foi transferida para a rua em frente ao antigo Ginásio Municipal (atual escola Dr. Paraíso Cavalcanti), que assim permaneceu até 1974, quando passou a ser denominada professor Orlando França de Carvalho, que então falecera. Desde então, nenhum logradouro faz menção ao dia da Abolição.
Diplomatas: a rua Visconde do Rio Branco homenageia José Maria da Silva Paranhos, considerado um dos principais estadistas da história brasileira e que atuou politicamente como deputado, presidente de província, presidente do Conselho de Ministros, ministro da Fazenda e das Relações Exteriores. Seu filho, José Maria da Silva Paranhos Júnior, também foi lembrado para designar um logradouro da cidade. Embora tenha nascido e iniciado sua atuação profissional no Império, foi na República, na condição de Ministro das Relações Exteriores entre 1902 e 1912, que teve maior reconhecimento por atuar em várias questões de litígio envolvendo territórios vizinhos. Após seu falecimento, o então denominado Largo do Jardim ou Jardim Público, que incluía toda a aérea das duas atuais praças centrais, passou a ser a praça Barão do Rio Branco. Somente em 1947 é que aquela em que se encontra a Igreja Matriz de São João Batista passou a ser denominada “Monsenhor Aristides da Silveira Leite”, como reconhecimento ao profícuo trabalho religioso e social desenvolvido nos cerca de vinte anos em que esteve à frente da paróquia católica.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.937, de sábado a terça-feira, 19 a 22 de julho de 2025 – Ano 101




