

Apaixonado pelas antiguidades e amante do rádio, Primo Antônio Noli Júnior, 71, natural de Monte Azul Paulista, mudou-se para Bebedouro na década de 1960 e, após passar pela capital paulista e Araraquara, retornou a Bebedouro, na década de 1990. Egresso da vida de bancário, também teve experiência no magistério, na área de humanas. Nos últimos anos, dedicava-se a palestras sobre o rádio e sua repercussão.
Noli realizava encontros e exposições gratuitas de suas coleções de discos, rádios, que eram seu forte, objetos de decoração e utensílios para casa, diferentes e curiosos, além de ser antigomobilista, ou colecionador de automóveis antigos, levando cultura e história aos bebedourenses.
Chamado por muitos de professor, Primo Noli faleceu em 24 de fevereiro, por volta das 7h30, no hospital Unimed Samaritano, devido a complicações de saúde. Discreto em relação à vida pessoal e à família, poucos souberam de sua morte. Seu corpo foi transladado para o Crematório Prever, em Jaboticabal, no mesmo dia.
O colecionador, que residia no Jd. São Francisco, com a esposa, deixou quatro filhos e inúmeros colegas, apreciadores da arte popular brasileira. Entre eles está Adilson Fábio Santos, que conheceu o professor em 2009, por intermédio de amigos. Também colecionador, o amor pelos discos, foi o que os uniu.
“Assim que conheci o professor Noli, me encantei por sua paixão por antiguidades e foi o que nos aproximou. Criamos o grupo ‘Arquivo Confraria do Chiado’, cujo nome é uma alusão ao chiado dos discos de cera e vinil. Anos depois, este grupo passou para as redes sociais, onde tomou grande proporção, tornando-se referência no assunto. Nada disso seria possível sem o professor”, conta o amigo Adilson.
Além de integrante do grupo Explendor, Noli era co-irmão da Associação Bebedourense de Ferreomodelismo (ABF), onde expunha sua coleção automobilística. “Mesmo já debilitado de saúde, sempre que nos encontrávamos, ele tinha algo bom a dizer e novas ideias a acrescentar”, diz Santos e adiciona: “Sua passagem é uma grande perda para a cultura local. Ele era um ser humano fantástico, querido e sempre disposto a ajudar. O legado que fica é de alguém que muito contribuiu, com o que pode e o que não pode, para Bebedouro”.
O dentista Fauze Mustafa Bazzi, também amigo do falecido, diz que Noli era quieto e reservado, porém gentil, simpático, solícito e muito participativo. “Quando estive à frente do Departamento de Cultura, convidava Primo para os eventos na Estação Cultura e ele sempre nos atendeu prontamente. E não apenas levava seu acervo, mas participava, interagia e tirava dúvidas dos visitantes. O professor era um homem refinado, culto, bem informado e com grande bagagem cultural”, diz Bazzi.
Para o dentista, a perda de alguém tão importante deixa uma lacuna na história da cidade e esta homenagem feita pela Gazeta, é digna e louvável, dada a importância de Noli para a preservação da cultura popular.
“Primo era alguém que elevava a arte e uma das melhores pessoas que conheci. O sentimento que fica é de tristeza, por sua perda, mas também de gratidão, por ter tido o prazer de conhecê-lo e por tudo que agregou para Bebedouro”, lamenta Bazzi.
Para os amigos, dentro de sua discrição, era nítido o amor que Noli nutria pela família. A Gazeta se solidariza com os familiares e amigos deste personagem importante para a história cultural da cidade.
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Publicado na edição 10373, de 14 e 15 de março de 2019.