Carnavais, bailes, futebol: a trajetória do Esporte Clube Paulista

José Pedro Toniosso

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Em sua sede social, o cordão carnavalesco do Esporte Clube Paulista, que conquistou a taça “Campeão do Carnaval de 1941” em concurso promovido pela Gazeta de Bebedouro.Foto: "Vida Doméstica", Rio de Janeiro, edição 277, de abril de 1941. Disponível em: http://bndigital.bn.gov.br/

A existência de um sistema ferroviário em Bebedouro a partir do início do século passado fez com que os funcionários das empresas Cia. Paulista e Estrada de Ferro São Paulo – Goiás tivessem expressiva participação nos mais variados segmentos da sociedade local.

No campo esportivo, os times de futebol dos ferroviários estão entre os primeiros que aqui surgiram, inclusive o da Cia. Paulista, que no decorrer de sua existência participou de inúmeros torneios, quadrangulares e campeonatos na cidade e na região, além de ter sido a primeira equipe bebedourense a jogar no estádio do Pacaembu, em meados da década de 1940.

No entanto, de acordo com relato do ferroviário Oswaldo Schiavon, a constituição oficial do “Esporte Clube Paulista” (ECP) ocorreu em 20 de maio de 1929, após reuniões preliminares e campanha para adesão de sócios e arrecadação de recursos por meio de lista de subscrições.

Naquele mesmo ano, fora implantada na cidade a 3ª Divisão Administrativa da Cia. Paulista, que além de gerar a construção de prédios próprios para os escritórios e outros setores funcionais, resultou na construção de nova colônia, constituída de cerca de cem casas, além de ampliar significativamente seu quadro de empregados.

Desta forma, na referida data foi realizada assembleia geral para constituição do clube, que recebeu o nome oficial sugerido por Schiavon, além da eleição da primeira diretoria, assim formada: Presidente, João Kosmel; Vice-Presidente, João Alves de Oliveira; 1º Secretário, Oswaldo Schiavon; 2º Secretário, Guilherme Kleiner; 1º Tesoureiro, José Rodrigues Silva; 2º Tesoureiro, Antônio Rodrigues Ferreira.

Os primeiros anos foram de muita dificuldade, sem o apoio da diretoria da empresa ferroviária, mas em meados de 1935 foi possível a construção de uma sede social, feita de toras de eucalipto, coberto de zinco e com janelas basculantes. Além do salão de festas e bailes, as instalações incluíam campo de futebol, biblioteca e parque infantil. Lá aconteceram vários festivais de teatro amador, projeção de filmes e concorridos bailes carnavalescos.

Uma promoção do clube que se tornou tradição por vários anos foi a chegada do Rei Momo e sua corte em um carro especial que saia do depósito de locomotivas até a estação, onde era recebido por foliões que formavam um cordão carnavalesco que desfilava pelas ruas da cidade. Acompanhado da rainha e das princesas, o rei momo também visitava os bailes que eram realizados em outras agremiações, como o Bebedouro Clube e Associação dos Empregados.

Há registros da participação dos foliões do ECP desde a década de 1930, mas foi em 1941, quando a “Gazeta de Bebedouro” promoveu o primeiro concurso de cordões carnavalescos, que o clube ferroviário se sagrou campeão, sendo por isso considerado o pioneiro do carnaval de rua bebedourense. No ano seguinte o evento foi oficializado pela Prefeitura, sendo realizado um concurso de cordões, balizas e carros alegóricos, no qual o Paulista alcançou o segundo lugar.

No início da década de 1950 houve muito empenho dos membros do ECP para viabilizar a construção de uma piscina, em terreno que fora doado ao clube pelo Major Cícero de Carvalho, o que deu origem ao “Grêmio Esportivo Cidade Coração”. Na década seguinte o patrimônio e os sócios do Grêmio foram incorporados ao Bebedouro Clube por meio de uma fusão definida em assembleias de ambos.

Na sequência, a diretoria do biênio de 1960/1961 foi responsável pela construção de novo prédio para a sede social do ECP, demolindo o antigo pavilhão de madeira. Com a modernização do espaço, o clube ampliou a realização de eventos que atraíram públicos ainda maiores.

Porém, com a crise no setor ferroviário, que incluiu a desativação de alguns ramais, o clube foi perdendo força, com a redução do quadro de associados e recursos financeiros. Em 1971, houve a estatização da Paulista, incorporada à Fepasa, que decidiu pelo fechamento do Esporte Clube Paulista.

Anos depois, em 1975, a Prefeitura Municipal desapropriou o prédio da sede social, declarando-o de utilidade pública. No ano seguinte houve a cessão do imóvel em comodato ao Lions Clube, que passou a funcionar no local, assim como salas de educação infantil e departamentos municipais que também foram ali instalados.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.987 Sábado a sexta-feira, 14 a 20 de fevereiro de 2026 – Ano 101