Centro Cultural de Bebedouro: uma instituição promotora da cultura local

José Pedro Toniosso

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Escoteiros e Lobinhos organizados pelo Centro Cultural de Bebedouro participam de desfile cívico na rua Tobias Limas. Foto: Acervo DMCB

Em meados de 1958 foi fundado o Centro Cultural de Bebedouro, entidade que surgiu com o objetivo de promover o “aprimoramento dos hábitos sociais e o desenvolvimento da cultura literária, científica e artística dos associados”.  Desta forma, em 30 de junho foi realizada uma reunião nos salões cedidos pelo Bebedouro Clube para a constituição da primeira diretoria, sendo definido como presidente honorário, Tonica Evangelista; patrono, José Evangelista; presidente, Gilberto de Souza Biojone; vice-presidente, José Caldeira Cardoso.

Para a composição do quadro associativo houve significativa contribuição da imprensa local, conforme publicado na edição de 13 de julho da Gazeta de Bebedouro: “Bebedourense! Colabore para que nossa terra seja incluída no rol das cidades mais cultas, fazendo parte do quadro social do C.C.B.”

A adesão foi bastante significativa, alcançando cerca de 250 sócios nos dois primeiros meses, sendo que o primeiro endereço do Centro Cultural se localizava na avenida Raul Furquim, no. 100.

Entre as primeiras ações desenvolvidas pela entidade foi a campanha pela organização de biblioteca, discoteca e do Museu Histórico de Bebedouro, solicitando aos bebedourenses a doação de livros, discos e antiguidades. A diretoria do Centro passou a promover uma programação diversificada de eventos, incluindo serões musicais com talentos locais, principalmente vinculados ao Conservatório Musical; palestras sobre variados assuntos, com oradores locais ou vindos de outras cidades; exposições de fotografias; festivais musicais; peças de teatro; recitais de poesia; entre outras.

Para a realização dos eventos com maior público, a diretoria fazia parceria com diversas instituições para o uso de seus espaços, como o Teatro Rio Branco, Colégio Anjo da Guarda, Instituto de Educação e Bebedouro Clube.

Em dezembro de 1960, diante de autoridades, familiares e convidados, o CCB promoveu a cerimônia de juramento dos 10 escoteiros e 24 lobinhos bebedourenses que formavam o Grupo Marechal Rondon. O evento foi realizado em frente à Prefeitura Municipal e após receberem elementos da indumentária e entoarem o Hino Nacional, à Bandeira e dos Escoteiros, saíram em desfile pelas principais ruas centrais.

Outra realização significativa do CCB foi a inauguração de uma Pinacoteca de Arte Moderna, resultado de uma parceria com um grupo de artistas de Campinas, com a exposição de 28 telas, das quais 17 foram doadas ao acervo do Centro.

Em 1964, após reunião do Conselho Deliberativo foi aprovada a transformação do Centro Cultural de Bebedouro em Centro Cultural Brasil Estados Unidos de Bebedouro, sendo formada uma comissão, constituída por Dr. Wilson Janini, Paschoal Ursolino e Maud Fragoas, para promover as mudanças necessárias no estatuto da instituição.

Após a aprovação do novo estatuto, este foi enviado para o Serviço de Divulgação e Relações Culturais dos Estados Unidos mantido pela Embaixada Norte-Americana, visando o apoio material para a biblioteca, discoteca, projeto cinematográfico, filmes, gravadores e outros. O Centro passou a oferecer também cursos de inglês, ministrados semanalmente pelo professor Farago.

Apesar do surgimento promissor, com expressivo apoio da sociedade local e muito empenho das diretorias, em 1968 o Centro Cultural encerrou as atividades. Conforme registros, a mudança de residência de seu maior entusiasta, Gilberto de Souza Biojone, que foi um dos fundadores e dos diretores mais atuantes, gerou o arrefecimento. Todo o acervo foi transferido para a Prefeitura Municipal, que o manteve em seus depósitos, impossibilitando o acesso do público apreciador da arte e da cultura.

Somente após quase vinte anos do encerramento do Centro Cultural é que ocorreria a organização de um espaço específico para a promoção da cultura local com a inauguração da Casa da Cultura Prof. Waldemar Antônio de Mello, em setembro de 1987, localizada na avenida Dr. Pedro Paschoal, onde funcionara o salão comunitário do bairro Cruzeiro do Sul, assunto a ser abordado em outro artigo nesta coluna.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

 

Publicado na edição 10.973 de sábado a terça-feira, 6 a 9 de dezembro de 2025 – Ano 101