Chuvas intensas marcam janeiro apesar de volume total abaixo da média

Janeiro acumulou 260 mm de chuva, mas temporais concentrados chegaram a 145 mm em menos de 24 horas, na região norte de Bebedouro.

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Alagamento - Registros na região norte de Bebedouro após chuva intensa; equipes da Defesa Civil e da GCM atuam em regime de alerta para reduzir os impactos.Foto:Divulgação.

O mês de janeiro de 2026 apresentou volume de chuvas abaixo ou próximo da média climatológica, mas foi marcado por episódios de temporais intensos e concentrados, que provocaram alagamentos temporários, especialmente na região norte da cidade. De acordo com dados da estação da Defesa Civil, o acumulado mensal foi de 260 milímetros, índice inferior ao esperado, porém distribuído de forma irregular.

A última chuva torrencial foi registrada na sexta-feira (30 de janeiro), quando 145 milímetros caíram em menos de 24 horas no setor norte, provocando alagamentos pontuais e transtornos à população.

No mesmo dia, em suas redes sociais, o prefeito Lucas Seren informou que a Defesa Civil do Estado de São Paulo divulgou levantamento com as cidades que registraram os maiores volumes de chuva em 12 horas e, segundo o prefeito, entre os 645 municípios paulistas, Bebedouro foi a cidade onde mais choveu no período, liderando o ranking estadual naquela sexta-feira.

O prefeito destacou que, apesar do grande volume de chuva concentrado em pouco tempo, os danos e estragos foram mínimos em relação ao que poderia ter ocorrido, confirmando que as equipes municipais estariam nas ruas desde o fim da chuva e seguiam de prontidão, já que a previsão indicava mais chuva até domingo. “Por isso, vamos ficar atentos e tomar todos os cuidados possíveis”, declarou.

Segundo a Defesa Civil municipal, três chuvas torrenciais atingiram o município em janeiro, nos dias 4, 13 e 30, todas com impacto direto na mesma região. Mesmo com o total mensal abaixo da média, a intensidade das chuvas foi determinante para os danos registrados. Foram chuvas concentradas e destrutivas, que causaram alagamentos temporários por sobrecarga do sistema de drenagem.

O histórico recente reforça a irregularidade do regime de chuvas. Em janeiro de 2025, o volume chegou a 338 milímetros, dentro da média esperada. Já em 2024, o acumulado foi de apenas 136 milímetros, caracterizando um ano seco, marcado por muitos incêndios. Em 2023, choveu 350 milímetros, enquanto 2022 e 2021 registraram 123 mm e 130 mm, ambos abaixo da média, embora com registros de chuvas intensas em curto intervalo de tempo.

Defesa Civil reforça ações diante de chuvas extremas

O secretário de Segurança de Bebedouro e coordenador adjunto da Defesa Civil do Estado de São Paulo, Rogério Valverde, que coordena 19 municípios da região, avalia que, mesmo com o volume total de chuvas de janeiro abaixo da média histórica, os impactos das chuvas torrenciais concentradas exigiram atenção constante.

“Mesmo com o volume total de chuvas de janeiro de 2026 abaixo da média histórica, as chuvas concentradas, principalmente aquelas que ultrapassaram 100 milímetros em 24 horas, causam impactos significativos. As ações de prevenção adotadas pela Defesa Civil, tanto municipal quanto estadual, têm surtido efeito na proteção ao cidadão, mas as intempéries climáticas desafiam todo o sistema de proteção”, afirma Valverde.

Segundo ele, o cenário reforça a necessidade de preparo contínuo. “A avaliação é que devemos ter equipes cada vez mais preparadas e a população sempre muito bem orientada”, completa.

Sobre as três chuvas intensas registradas nos dias 4, 13 e 30 de janeiro, que atingiram principalmente o setor norte da cidade, Valverde destaca que foram necessárias ações emergenciais imediatas. “Foram realizadas ações para retirada de pessoas de locais de risco, desobstrução de ruas em razão da queda de árvores e retirada de veículos que apresentaram pane por conta do alto volume de água”.

O registro de 145 milímetros em um único dia também levou ao reforço no monitoramento e no atendimento às ocorrências. “Sem dúvida, assim que os radares começaram a apontar o volume excessivo de chuva, acionamos os agentes da Defesa Civil e da Guarda Civil Municipal, colocando todos em alerta máximo”, diz.

Valverde ressalta ainda que as medidas preventivas e de resposta rápida seguem sendo prioridade. “As ações preventivas são focadas nas obras estruturais da cidade que já estão em andamento, além de comunicação ágil com a população, alertando para os riscos de enfrentar enxurradas, quedas de árvores e outros perigos. Apesar dos danos materiais, muitas vidas foram salvas graças às ações preventivas e aos alertas emitidos”.

Cenário estadual confirma irregularidade das chuvas

Segundo análise da Defesa Civil do Estado de São Paulo, baseada no mapa de anomalia de precipitação, janeiro de 2026 foi marcado por chuva abaixo ou próxima da média climatológica na maior parte do estado. O levantamento aponta predominância de anomalias negativas, principalmente nas regiões do interior e no centro-oeste paulista, onde o déficit de precipitação foi mais significativo.

Já no leste do estado e na faixa litorânea, o cenário foi diferente, com áreas apresentando anomalias levemente positivas, indicando volumes próximos ou ligeiramente acima da média em pontos isolados. Apesar disso, não houve registro de excesso generalizado de chuva no território paulista.

De forma geral, o mês apresentou padrão de chuvas mal distribuídas, com contraste entre o litoral, que teve volumes mais favoráveis, e o interior, que concentrou os menores acumulados. A Defesa Civil do Estado segue acompanhando as condições meteorológicas e seus impactos, mantendo monitoramento contínuo em todas as regiões.

Chuvas convectivas marcam a estação

As chamadas chuvas convectivas, típicas do verão, têm predominado nesta estação. Estudo do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), comparando os anos de 2025 e 2026, aponta que, neste ano, as chuvas ocorrem de forma mais irregular e em formato de tempestades, com grande volume concentrado em curto período.

Em 2025, segundo o CGE, houve maior atuação de frentes frias, o que resultou em chuvas mais frequentes e melhor distribuídas ao longo do mês. Já as chuvas de verão, como as registradas em 2026, apresentam alto poder destrutivo, causando transtornos como alagamentos, enxurradas, quedas de raios e prejuízos pontuais à população.

Publicado na edição 10.984, quarta, quinta e sexta-feira, 4, 5 e 6 de fevereiro de 2026 – Ano 101

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