Ciências e Tecnologia em 14 anos

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Nesse mês de fevereiro, a coluna “Ciências e Tecnologia” completa 14 anos de vida. Até parece que foi outro dia que me reuni com a nossa querida diretora Sarah Cardoso para discutir a viabilidade da criação de uma coluna especializada, cujo objetivo seria levar aos leitores da Gazeta um assunto pouco difundido na mídia em geral. Com tamanha objetividade e perspicácia, Sarah não só foi favorável à introdução desse novo tema como também apoiou todos os movimentos que essa coluna vem realizando aos longos desses anos. Afinal são quase 700 artigos publicados, além de projetos de distribuição gratuita de livros para a comunidade, a participação em congressos e publicações de artigos científicos e capítulos de livros sobre a saga de nossa Gazeta de Bebedouro. É um orgulho e uma grande honra fazer parte dessa história que aprendi a cultivar desde pequeno vendo os meus pais, aos domingos pela manhã, se entreterem e se informarem com as humildes, mas consagradas páginas da Gazeta.

2015: o espaço, a saúde e o meio ambiente

O ano recém-findado foi marcado por algumas conquistas importantes. Uma delas se chama New Horizons, a primeira nave espacial não tripulada construída pela NASA que chegou em julho último ao planeta Plutão, e de lá nos enviou imagens de alta resolução revelando a existência de montanhas, geleiras e planícies na superfície do planeta anão. Imaginando que são quase seis bilhões de quilômetros que separam Plutão da Terra, o feito deve ser muito comemorado.
Na saúde a conquista também tem nome: Ebola. Em julho de 2015 foi conduzido um experimento na Guiné com 4000 pessoas, o qual apresentou uma vacina 100% bem sucedida contra o vírus. Embora ainda não se saiba a viabilidade financeira para produção massiva e para distribuição da nova vacina, o fato é que o mundo já possui um gatilho contra essa doença que tem se mostrado implacável, principalmente com populações mais carentes como as da África Subsaariana. Vale a pena mencionar também, ainda na área da saúde, a descoberta de uma nova técnica de edição do DNA chamada CRISPR, que permite produzir cachorros supermusculosos e variações mais resistentes de milho e soja, entre outras coisas.
Já em relação ao meio ambiente, o foco ficou para a COP 21 que aprovou o primeiro acordo de extensão global para frear as emissões de gases de efeito estufa e para lidar com as consequências da mudança climática. Embora incompleto, o acordo marca o início de um trabalho de comprometimento ao invés de simples intenções, as quais ficaram no papel por décadas esquecidas. Ao menos houve finalmente o consenso entre todas as nações participantes de que as emissões de gases precisam ser desaceleradas.

2016: desafios à frente

Com o envelhecimento da população mundial avançando a passos largos, nada mais lógico do que as doenças relacionadas à idade, principalmente as que afligem o cérebro, se tornarem mais populares. É o caso do Alzheimer, cujas pesquisas começam a delinear um melhor entendimento dos mecanismos de ocorrência e cura, embora ela, a cura, ainda não exista. Recente trabalho britânico da Universidade de Southampton identificou que o bloqueio da produção de novas células do sistema imunológico no cérebro pode reduzir problemas de memória. A ideia desses pesquisadores é enfrentar a inflamação no cérebro causada pelas ditas células micróglias e assim conter o avanço da doença. Em ratos, a terapia funcionou plenamente, o que de certa forma, é notícia animadora em um cenário futuro de novos medicamentos para pacientes humanos.
No que tange à corrida espacial, ainda tem lugar de destaque a busca por vida extraterrestre. Talvez a principal missão que parte para o espaço nesse ano é a ExoMars, parceria russo-europeia, cujo principal objetivo é encontrar assinaturas biológicas que existiram ou ainda possam existir em Marte. Afinal, será que estamos sozinhos?
Pelo lado do meio-ambiente, o grande desafio brasileiro será a aprovação do projeto de lei pelo desmatamento zero que tem o objetivo de acabar com a destruição das florestas do país, uma vez que ainda hoje são dizimados cerca de 5.000 km2 por ano, o que equivale a quatro estados do Rio de Janeiro.

Lado-a-lado

Uma vez mais gostaria de agradecer à equipe Gazeta pela grande parceria e apoio em 2015 e especialmente aos queridos leitores pela paciência, comentários e opiniões. Vamos em frente!

Publicado na edição nº 9947, de 11 e 12 de fevereiro de 2016.