
Em tempos de resultados gerados por inteligência artificial, muita gente por aí anda se perguntando: afinal, como ser encontrado pelo Google em meio a tanta transformação?
Reportagem de 24 de julho de 2025, publicada no Search Engine Journal trouxe resposta direta vinda do próprio Google: você não precisa de técnicas mirabolantes nem de siglas da moda como AEO ou GEO para aparecer nos resultados da nova experiência com IA. Segundo Gary Illyes, engenheiro do Google, “SEO padrão já é suficiente”. Isso mesmo: o bom e velho SEO, bem feito, com conteúdo de qualidade, útil e bem planejado, ainda é o que faz diferença.
O próprio Google, como destacou Gary Illyes, deixou claro que não existe fórmula secreta para aparecer nos novos resultados de IA. Segundo ele, não há “AI SEO”: o que existe é o mesmo SEO de sempre, construído sobre os pilares já conhecidos, qualidade do conteúdo, relevância da informação e confiança na fonte. A inteligência artificial está presente em todas as etapas da busca (do rastreamento ao ranqueamento), mas continua usando a mesma estrutura de avaliação que sempre guiou os resultados. O recado é direto: quem produz conteúdo consistente, útil e confiável não precisa temer as mudanças, apenas se adaptar a elas.
Mas o que muda, então?
O que muda é a forma como a IA seleciona os conteúdos. Agora, mais do que aparecer, é preciso ser citado pela IA, ser visto como uma fonte confiável a ponto de ter suas informações “puxadas” para compor as respostas. E como a IA faz isso? Avaliando a EEAT dos sites, sigla para Experience, Expertise, Authoritativeness and Trustworthiness, ou, em bom português: experiência, especialização, autoridade e confiabilidade.
Com isso em mente, trago um exemplo real do meu trabalho como gerente de SEO na RGB, agência de marketing digital. Atendemos cliente da área do Direito e, ao analisar seu site, encontrei artigo antigo, publicado em 2017, com título técnico: “Namorado que tomou dinheiro emprestado da namorada é condenado a devolvê-lo”. O texto, escrito por uma advogada, trazia argumentos jurídicos sólidos, mas com linguagem mais formal, voltada mais a quem entende da área.
Ao pesquisar no Google, percebi que muitas pessoas buscavam por uma variação bem mais direta e cotidiana: “meu ex ficou me devendo dinheiro”. E aí estava a oportunidade.
Ao invés de reescrever o texto antigo, planejei um novo conteúdo do zero, com foco total nessa palavra-chave popular. Mantivemos o artigo técnico, afinal, ele comprova a autoridade da advogada no assunto e é valioso para a EEAT, mas criamos novo texto com linguagem mais acessível, humanizada, respondendo às dúvidas de quem, literalmente, foi deixado com dívida por um ex-namorado.
Pesquisamos o que as pessoas também perguntam no Google, exploramos variações e respondemos como se estivéssemos numa conversa direta com o leitor. E funcionou.
O resultado?
Hoje, esse novo artigo ocupa a posição número 1 na busca tradicional e também aparece no resultado gerado por IA do Google. Além disso, o artigo técnico, impulsionado pela autoridade do novo conteúdo, também aparece na primeira página. Com isso, conquistamos três presenças de destaque na SERP (Search Engine Results Page): IA + dois links orgânicos.
E vale ressaltar: nenhum resultado desse tipo acontece sozinho. Embora eu tenha planejado a estratégia, definido a palavra-chave e estruturado o direcionamento, contei com a equipe que ajudou a transformar esse planejamento em conteúdo. Redatores especializados e que também deram tudo de si nesta estratégia. O SEO é assim: não é obra de uma pessoa só, mas de uma soma de talentos que, juntos, constroem autoridade e relevância.
É importante, ainda, considerar que existe a possibilidade que uma busca por esse termo específico ainda não leve, de imediato, à contratação de um serviço jurídico. Mas esse tipo de conteúdo gera visibilidade, confiança e reconhecimento de marca. E no mundo digital, isso é o começo de qualquer relacionamento duradouro.
O que este caso ensina? Que SEO continua sendo sobre entender o usuário: o que ele busca, como ele pergunta e o que espera encontrar. O algoritmo muda, mas a essência permanece: entregar valor, com estratégia e verdade.
(Colaboração de Marcos Pitta, formado em jornalismo pelo Imesb, e em produção audiovisual pelo Centro Universitário Barão de Mauá. É pós-graduando em Marketing Digital pela Barão de Mauá e atua há 7 anos com marketing digital, sendo atualmente gerente do departamento de SEO na RGB Comunicação, em Ribeirão Preto. É jornalista da Gazeta de Bebedouro).
Publicado na edição 10.958, quarta, quinta e sexta-feira, 8, 9 e 10 de outubro de 2025 – Ano 101



