
Antonio Carlos Álvares da Silva
Esse primeiro assunto não parece atual, já que conta caso antigo. Mas vou contá-lo porque, para mim, foi uma descoberta. Há tempos atrás, quando uma pessoa ganhava uma boa quantia de dinheiro extra, recebia o seguinte comentário: “FULANO LAVOU A ÉGUA”. Era uma expressão comum, mas, eu não sabia sua origem. Na semana passada fiquei sabendo e a achei muito curiosa. Há mais de 200 anos, no tempo de extração de ouro em Minas Gerais, havia uma fiscalização severa, para que o ouro não fosse desviado pelos mineiros, que lá trabalhavam. Eles eram revistados na saída do terreno, onde ficava a mina. Mesmo assim, alguns conseguiam burlar a vigilância dos guardas, com o seguinte expediente: Eles impregnavam com ouro em pó a pelagem dos animais, que montavam, para chegar às suas casas. Esses animais quase sempre eram éguas. Quando chegavam a seu domicílio, lavavam os animais e recuperavam o ouro contido na pelagem. Daí, nasceu a expressão, “Fulano lavou a égua”. Talvez, ela tenha se estendido, para lavagem de dinheiro. Vejam vocês certas inconveniências do progresso. Hoje, qualquer político enfia a mão na sacola do governo federal e sai numa boa, sem nenhum artifício.
Esse segundo assunto é da hora. Trata-se do desvio de verbas da venda de alimentos, para merenda escolar. A investigação iniciada pelo Ministério Público, ganhou o nome de Alba Branca. Para quem não sabe, Alba Branca é o nome de uma trufa produzida no Piemont, na Itália. Trufa é uma bolota vegetal encontrada por cães farejadores, nas proximidades das raízes de carvalho. De todas as trufas, as brancas são as mais valorizadas. Elas são usadas para feitura de pratos requintados e temperos nos restaurantes mais famosos do mundo. Por serem raras, seu preço é exorbitante. Custam 5 dólares a grama, ou 5 mil dólares o quilo. Dar o nome de Alba Branca a uma operação da merenda escolar encerra uma monumental ironia.
Deixei para o fim, o assunto predominante na mídia. É o apartamento triplex construído em prédio no Guarujá, cuja propriedade o Ministério Público está atribuindo a Lula e sua mulher Marisa Letícia. Esse assunto vai longe. Por enquanto, vou me ater a aspectos, que entendo mais curiosos. Esse apartamento começou a ser construído pela Cooperativa dos Bancários – Bancoop. Essa cooperativa foi formada para construir moradias para bancários, em condições mais econômicas. Parece, que está em liquidação, porque, quando foi presidida pelo famigerado tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de 2004 a 2010, apresentou um rombo de 100 milhões de reais. A primeira curiosidade: Lula e Marisa nunca foram bancários e adquiriram imóvel –cotas dele– em imóvel de uma cooperativa de bancários, que, depois, foi cedido à OAS, empreiteira envolvida até a medula no escândalo da Petrobrás. A segunda é a seguinte: Se a Bancoop foi criada, para construir moradia para bancários, porque diabos, se meteu a construir apartamentos triplex no Guarujá? Será, que bancário ganha tanto dinheiro, a ponto de comprar apartamentos triplex (com elevador privativo) só para passar fins de semana no Guarujá? Só pode ser uma outra mágica de Lula, que foi promovido a Bancário Triplex do Guarujá!
(Colaboração de Antônio Carlos Alvares da Silva, advogado bebedourense).
Publicado na edição nº 9946, de 6 a 10 de fevereiro de 2016.




