Como ter a melhor conversa com a inteligência artificial

Henrique Calandra

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Henrique Calandra. (Foto: Divulgação)

Você não precisa dar Bom dia! para o Chat GPT ou para o Google Gemini. Entretanto, precisa saber como começar uma conversa com essas ferramentas ou modelos de inteligência artificial (IA) generativa para receber boas respostas.

Quero falar um pouco sobre prompts para quem está começando a utilizar ferramentas e modelos de IA no trabalho, nos estudos ou no dia a dia, falando tanto da criação de conteúdo, como de tarefas com aplicativos e softwares.

Um prompt pode ser uma pergunta, um comando ou um pedido, ou seja, ele é o ponto de partida da sua conversa com IA. E quanto melhor for o seu prompt, quanto mais claro, específico e contextualizado, maior será a chance de você receber exatamente o que precisa.

E mais: a IA generativa pode funcionar como o seu “desbloqueio” criativo, apontando alguns caminhos que você pode desenvolver posteriormente.

Então, evite dizer apenas “Escreva um e-mail para o meu chefe” ou “Traga um texto sobre marketing digital”.

Seja específico e detalhado em seu pedido, apresente o contexto, estabeleça o formato (um texto, uma lista, um e-mail), peça um tom para o texto (formal, criativo, técnico) e indique para quem será aquele conteúdo (alunos, clientes etc.).

Dois exemplos: “Escreva um texto para o meu blog com cerca de 800 palavras sobre as três melhores estratégias de marketing digital para pequenas empresas, usando um tom otimista e informal”.

E “Escreva um e-mail gentil de dois parágrafos para nossos clientes lembrando que o prazo para confirmar a presença no nosso evento termina nesta sexta-feira”.

Para criar conteúdos um pouco mais complexos, você pode pedir para IA resumir dados de artigos científicos ou notícias recentes, para que você consiga construir o seu texto com maior embasamento. Por exemplo, “faça um resumo das principais questões discutidas na COP 29 e que ainda devem ser debatidas na COP 30, em Belém; liste também os países que já confirmaram presenças no encontro deste ano”.

E não pare na primeira tentativa. A chave para bons resultados é testar variações de prompts e comparar as respostas, às vezes, combinando os diversos retornos da IA.

Gosto de lembrar que IA é um excelente apoio, mas não um atalho. Pesquisas e respostas elaboradas pela ferramenta serão ótimas para você construir o seu próprio conteúdo, carregado de fontes e informações, que devem ser sempre verificadas e checadas.

Para tarefas do trabalho que consomem muito tempo, como conferência de planilhas e tabelas, triagem de dados, otimizar estoque etc., você pode compartilhar os arquivos com a ferramenta de IA e criar prompts pedindo para otimizar ou automatizar certas ações, indicando o que você busca como resultado final. O importante é sempre testar e refinar os resultados.

Além disso, tenha em mente as boas práticas do seu trabalho e a segurança dos dados. Se for preciso, consulte as diretrizes da sua organização. Nunca insira informações sensíveis, como dados pessoais ou identificáveis, contratos e senhas, em ferramentas públicas de IA. O ideal é utilizar versões corporativas e com controle de privacidade.

 

(Colaboração de Henrique Calandra, fundador do WallJobs, empresa de tecnologia brasileira que oferece soluções automatizadas para contratos de estágio, autor do livro “Inteligência Artificial Generativa para Iniciantes”, colunista da ABStartups e palestrante de grandes ecossistemas como InovaBRA e Distrito).

Publicado na edição 10.962 de sábado a sexta-feira, 25 a 28 de outubro de 2025 – Ano 101