

Em dezembro de 1947, uma interessante promoção que era realizada em diversas cidades brasileiras chegou a Bebedouro: o “Concurso Bonecas Vivas”, que consistia em um desfile de meninas caracterizadas como bonecas de diversas origens, tanto de regiões do Brasil como de outros países.
O evento inédito foi realizado por iniciativa das alunas da Escola Normal Santa Dorotéia (Colégio Anjo da Guarda), sob orientação da professora Secundina Paschoal e apoio do poder público, imprensa e estabelecimentos comerciais. Com a participação de 22 candidatas, o Concurso foi realizado em benefício da campanha “Natal das Crianças Pobres”, em etapas no palco do Teatro Rio Branco e no salão social do Bebedouro Clube.
De acordo com o regulamento, as candidatas seriam classificadas conforme o número de votos obtidos, os quais eram adquiridos pela comunidade e, com toda a renda revertida para a referida campanha. Desta forma, após a apuração, foram divulgados os resultados: 1º lugar, Maria Alice Hortal, com 7.326 votos; 2º, Edna Campos Cassão, com 4.212; 3º, Claudia Santos Leal, 3.402 votos; 4º, Marilda Izique, 1.752 votos; 5º, Eneida Paschoal, 1.030 votos; além das outras com menor votação.
Com o objetivo de angariar recursos para a construção do Orfanato e Convento Franciscano (atual Educandário Santo Antônio), nova edição ocorreu em 1952, vinculada à programação da Festa de São João Batista, assim como viria a acontecer nos anos seguintes. Participaram dos desfiles realizados na Festa, nove “bonecas vivas”, cada uma representando uma nacionalidade, vestidas a caráter e portando a bandeira do referido país: Maria José Fernandes, representando a Espanha; Regina Célia M. Baeninger, Holanda; Tereza A. Balardin Pierini, Itália; Ana Maria Patah, Síria; Cecília Maria Spironello, Portugal; Yolanda Loureiro de Carvalho, Estados Unidos; Iuri Yoshino, Japão; Rose Maria Rushe, Tirol; e Ana Lúcia Pacheco Cardoso, Brasil.
No último dia, diante de numerosa plateia e sob apresentação do jornalista José Francisco Paschoal, as meninas desfilaram, dançaram e declamaram, e logo depois foram divulgados os resultados: 1º lugar, a boneca que representou o Brasil, Ana Lucia Pacheco Cardoso; seguida pela dos Estados Unidos, Yolanda de Carvalho; e da Itália, Tereza Balardin Pierini, sendo que todas receberam prêmios das mãos do prefeito municipal, Pedro Paschoal.
Na mesma década, em 1957, o Concurso foi realizado em prol das obras do Orfanato Franciscano e para a manutenção do Asilo São Vicente de Paulo, seguindo o mesmo formato da edição anterior. Em meio a muitos aplausos, após o desfile final realizado em palco na praça Barão do Rio, foi divulgada a classificação das sete concorrentes, sendo vencedora a menina Olga Regina Veraldi, representando a Itália e que obteve mais de 8,3 mil votos; na sequência, Claudia Molinari Reda, Brasil; Maria Lúcia Nakasato, Japão; Márcia Sass, China; Maria Antonieta Andrade, África; Maria Inês Nocite, Estados Unidos; e Rita de Cássia Coutinho, Holanda.
Em 1961, o Concurso teve continuidade, porém reduzindo a participação para apenas três candidatas, cada uma representando uma instituição local, formato que seria mantido nos anos posteriores. Com a renda destinada ao Orfanato, cuja inauguração estava prevista para o início do ano seguinte, concorreram as seguintes meninas, na ordem de classificação: Yara Pimentel, representando a Santa Casa; Heloísa Helena Festozo, pelo Asilo São Vicente de Paulo; e Terezinha M. Toller, pelo Colégio Anjo da Guarda.
Ainda na mesma década, o Concurso teve outras edições vinculadas à festa do padroeiro, como em 1962, com renda destinada às famílias do bairro Alto da Boa Vista e que classificou em 1º lugar, a menina Cláudia Maria P. de Souza; em 2º, Najla A. Lian; e em 3º, Luciane A. de Toledo. No ano seguinte, o objetivo foi angariar recursos para aquisição do órgão eletrônico para a Igreja Matriz, tendo concorrido as meninas Maria Rita Furquim, que foi a vencedora; Cacilda C. Caputo, em 2º lugar; e Patrícia Tourinho, em 3º lugar.
Além destes, o Conservatório Musical Heitor Villa Lobos também organizou alguns concursos de “bonecas vivas” na década de 1960, voltados para atender demandas da própria instituição. No decorrer dos anos o evento foi descontinuado, mas se manteve na memória daquelas que participaram ou dos que acompanharam as várias edições realizadas.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.971 de sábado a terça-feira, 29 de novembro a 2 de dezembro de 2025 – Ano 101




