Contar com a sorte nunca foi estratégia de saúde

Luiz Assunção

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Dr. Luiz Antônio da Assunção, farmacêutico clínico, CRF 23.110 SP, Pós-graduado em acompanhamento farmacoterapêutico; e em gastroenterologia funcional e nutrigenômica. Foto: Divulgação

Durante décadas, fomos condicionados a acreditar que a saúde era uma questão de sorte.

Se você não adoeceu, agradeça à genética. Se adoecer, corra atrás de um remédio.

Essa foi, silenciosamente, a estratégia de cuidado vendida à sociedade: torcer para não ficar doente e, se acontecer, confiar em soluções rápidas.

A ciência moderna, de fato, avançou de forma impressionante. Desenvolveu-se medicamentos, vacinas, exames sofisticados, intervenções cirúrgicas incríveis. Mas o foco sempre esteve em apagar incêndios — resolver o problema depois que ele já apareceu.

E o que faltou?

Faltou ciência voltada para a construção da saúde.

Faltou ensino de como não adoecer.

Faltou investimento em educação sobre estilo de vida, alimentação de verdade, suplementação adequada, sono de qualidade, equilíbrio emocional, microbiota intestinal e autocuidado.

Criamos um modelo altamente eficiente em controlar sintomas — mas muito deficiente em promover saúde verdadeira.

Hoje, vivemos um paradoxo: uma população extremamente medicada, mas cronicamente doente. Pessoas com três, quatro, cinco medicamentos contínuos, mas sem melhora real na qualidade de vida. Seguimos “controlados”, mas adoecidos.

E isso tem um custo — humano, social, financeiro.

Como farmacêutico clínico, observo diariamente que muitos desses quadros poderiam ter sido evitados se, lá atrás, alguém tivesse feito as perguntas certas, olhado o paciente de forma global e interferido antes da doença se consolidar.

A verdade é dura, mas precisa ser dita: o sistema não está preocupado em mudar esse ciclo.

O lucro está na doença, não na saúde.

Por isso, precisamos virar a chave. Precisamos de protagonismo em saúde. Precisamos de informação, orientação, prevenção e acompanhamento clínico de verdade — não apenas receitas renovadas automaticamente.

A pergunta que deixo para você, leitor, é direta: Se você já faz uso de medicamentos, está sendo cuidado para recuperar sua saúde ou apenas para seguir medicado?

A resposta pode mudar o rumo da sua vida.

(Colaboração de Luiz Assunção, Farmacêutico Clínico – CRF 23.110 SP, especialista em Farmacoterapia e Saúde Funcional. Atua com revisão de medicamentos, prevenção de doenças e orientação personalizada para pacientes medicados. Instagram: @luizassuncaofarmaceutico).

Publicado na edição 10.924, de sábado a terça-feira, 24 a 27 de maio de 2025 – Ano 100