
Duarte Nogueira
Ninguém pode ser contra investigações que tenham o objetivo de garantir a correta aplicação dos recursos públicos e defender os interesses da sociedade. É isso o que sempre defendi ao longo desses 20 anos de trajetória – como deputado estadual por três mandatos, outros três como federal, líder da Oposição na Câmara dos Deputados, secretário estadual de Habitação, de Agricultura e, agora, de Logística e Transportes.
E, nesse tempo todo, nunca tive qualquer acusação por envolvimento em irregularidades. Tenho um nome a zelar em respeito aos meus eleitores, a minha família e ao meu partido. Assim, não poderia reagir de outra forma, senão com indignação extrema, à citação do meu nome, na Operação Alba Branca, que apura supostos desvios de recursos da merenda escolar em São Paulo.
Em todo o inquérito até agora, há mais de 400 páginas. Também centenas de monitoramentos de escutas telefônicas com horas de gravação com autorização da justiça. Sem nenhuma menção ao meu nome, ou a alguém relacionado a mim. Meu nome foi citado uma única vez, em duas linhas, e de forma genérica, leviana e irresponsável – um dos investigados diz, em seu depoimento, que ouviu de um terceiro. Nada mais. O fato é que já prestei esclarecimentos, de forma espontânea, à Corregedoria Geral do Estado para negar qualquer envolvimento nesse esquema. Quero que a investigação ocorra de forma mais rápida possível. Aguardo as solicitações que fiz formalmente para ser ouvido na Polícia Civil e no Ministério Público.
Não posso admitir que investigados no esquema tentem incluir o meu nome seja por qual razão for. Também não posso concordar com vazamentos como esse, no curso das investigações, rapidamente pautados pela imprensa com o pretexto velado de equilibrar o noticiário, ultimamente ocupado pelo Petrolão e denúncias contra figuras ilustres do PT, como o próprio Lula.
Nunca foi tão fácil incluir nomes e propor versões sobre episódios obscuros, que, quando se esfacelam ante a própria inconsistência, podem comprometer, de modo covarde e injusto, a honra de terceiros. Infelizmente, esses últimos 13 anos sob os governos do PT, de Lula e Dilma, produziram muitas crises, como a econômica e a política, mas também a ética. Tornaram-se mais sobressaltados princípios tortos como o de que os fins justificam os meios e de que, no jogo político, vale tudo, especialmente destruir reputações apenas para embaralhar os fatos e confundir a opinião pública.
O cálculo de quem comete o vazamento ou inclui um nome na investigação é frio – o tempo até a denúncia ser arquivada é o suficiente para desgastar a imagem e a honra.
Não pedi para ser defendido por ninguém. Nem terceirizei minha defesa para proteger meu nome e honra, apesar de ter recebido inúmeros gestos de apoio das pessoas que me conhecem.
Digo tudo isso em respeito aos meus eleitores, aos cidadãos da minha cidade natal, Ribeirão Preto , e do meu Estado de São Paulo. Tenho total interesse nessa investigação e nada a temer. Não vou permitir que tentem, de forma criminosa, abalar o que demorei anos para construir e preservar. Ao final, a verdade prevalecerá e aqueles que tentaram macular o meu nome terão de prestar contas à Justiça.
(Colaboração de Duarte Nogueira, secretário de Logística e Transportes do Estado de São Paulo).
Publicado na edição nº 9949, de 16 e 17 de fevereiro de 2016.




