Depois de Candinho, uma princesa: o novo capítulo das novelas das seis

Marcos Pitta

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O altar virou palco da verdade - No casamento de Candinho e Zulma, a vilã finalmente foi desmascarada em Êta Mundo Melhor!. Uma sequência clássica de novela: tensão, revelação e justiça dramática nos últimos capítulos.Foto (Foto: Globo/Fábio Rocha)

Depois de mais de 200 capítulos, Êta Mundo Melhor! se despede do público das seis deixando algo cada vez mais raro na televisão contemporânea: a sensação de missão cumprida. A novela, idealizada por Walcyr Carrasco, que conduziu os primeiros 30 capítulos, e posteriormente desenvolvida por Mauro Wilson, mostrou que revisitar um universo já amado pelo público pode ser mais do que nostalgia: pode ser continuidade dramática com identidade própria.

Quando Êta Mundo Bom! conquistou o Brasil em 2016, Candinho virou símbolo de dramaturgia popular, leve e espirituosa. Dez anos depois, o retorno do personagem interpretado por Sérgio Guizé provou que certas histórias envelhecem bem quando seus autores compreendem a essência de seus personagens. Candinho reaparece amadurecido, mas preservando o otimismo que sempre foi a alma da trama, equilíbrio delicado que a novela soube sustentar ao longo de mais de 200 capítulos.

Entre os grandes destaques da continuação está Larissa Manoela, que encontrou em Estela um papel de forte densidade dramática. A atriz entregou sequências emocionais e eletrizantes, demonstrando domínio de ritmo e intensidade em cena. Heloisa Périssé, por sua vez, surpreendeu ao construir a vilã Zulma com precisão cômica e perversidade medida, criando uma antagonista memorável dentro do universo farsesco típico das novelas das seis.

Outro acerto da novela foi recuperar personagens que marcaram o público. Flávia Alessandra e Eriberto Leão voltaram como Sandra e Ernesto provando que alguns vilões atravessam o tempo com facilidade. A dupla trouxe maturidade às figuras que já eram icônicas, ampliando a complexidade de seus jogos de manipulação.

O elenco veterano também foi muito bem aproveitado. Nívea Maria, Luis Miranda, Ary Fontoura, Elizabeth Savalla e Grace Gianoukas formaram e reviveram personagens fortes, que sustentou humor, emoção e carisma ao longo da narrativa. As participações especiais de nomes como Letícia Sabatella e Vera Fischer ajudaram a enriquecer a reta final, reforçando o tom festivo de despedida.

Assim, Êta Mundo Melhor! encerra sua jornada reafirmando uma lição simples da dramaturgia de Walcyr Carrasco: personagens populares, quando bem construídos, permanecem vivos no imaginário do público.

Agora, a faixa das seis abre espaço para uma nova história. A partir de segunda-feira (16), estreia A Nobreza do Amor, assinada por Duca Rachid, Elísio Lopes Jr. e Júlio Fischer, sob direção artística de Gustavo Fernández. Pelas primeiras imagens, o público deve encontrar um novelão clássico, com forte identidade estética.

Ambientada nos anos 1920, a trama acompanha Alika (Duda Santos), princesa africana que foge para o Brasil após um golpe que assassina seu pai, o rei Cayman. Escondida no interior do Rio Grande do Norte sob o nome de Lúcia, ela constrói uma nova vida enquanto luta para recuperar seu trono e proteger sua história.

A novela promete unir romance, ancestralidade e conflitos sociais ao abordar temas como racismo, identidade e pertencimento. No centro da narrativa está o amor entre Alika e Tonho (Ronald Sotto), além do embate com o vilão Jendal, vivido por Lázaro Ramos. O elenco ainda traz nomes consagrados, como Zezé Motta, reforçando o peso dramático da produção.

Se Êta Mundo Melhor! se despede celebrando a tradição da comédia popular brasileira, A Nobreza do Amor surge prometendo uma narrativa épica e visualmente marcante.

E assim a televisão faz aquilo que sabe fazer melhor: enquanto uma história fecha suas cortinas, outra começa a erguer o cenário para conquistar o público.

Publicado na edição 10.994 Sábado a terça-feira, 14 a 17 de março de 2026 – Ano 101