Descentralização da Saúde: quando o cuidado precisa chegar antes da doença

Luiz Assunção

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Dr. Luiz Antônio da Assunção, farmacêutico clínico, CRF 23.110 SP, Pós-graduado em acompanhamento farmacoterapêutico; e em gastroenterologia funcional e nutrigenômica. Foto: Divulgação

Nos últimos anos, fala-se muito sobre modernizar o sistema de saúde. Fala-se de tecnologia, inteligência artificial, novos hospitais. Mas o verdadeiro avanço talvez esteja em algo mais simples e mais próximo: levar o cuidado para perto das pessoas.

É disso que trata a descentralização da saúde.

Por décadas, o sistema concentrou atenção e recursos nos hospitais e serviços especializados. O resultado? Filas, sobrecarga e um cuidado que muitas vezes chega tarde demais — quando a doença já tomou espaço.

A descentralização inverte essa lógica: o cuidado começa na base, onde as pessoas vivem — no bairro, na comunidade, na farmácia.

Sim, na farmácia.

Hoje, ela é a unidade de saúde mais acessível do Brasil. Está presente em praticamente todos os municípios, aberta até tarde, recebendo diariamente quem busca alívio, orientação e, muitas vezes, escuta.

Mas a farmácia do futuro não será apenas um balcão de medicamentos — será um ponto de cuidado clínico, onde o farmacêutico atua como agente de saúde, educador e guardião da farmacoterapia.

Na prática, descentralizar a saúde significa reconhecer que o paciente crônico — aquele que usa vários medicamentos e precisa de acompanhamento — pode e deve ser monitorado antes de chegar ao hospital.

O farmacêutico clínico, capacitado para revisar tratamentos, orientar sobre interações e acompanhar resultados, é peça-chave nesse novo modelo.

Descentralizar também é otimizar recursos, reduzir internações desnecessárias e fortalecer a prevenção.

É olhar para o envelhecimento da população e perceber que não há sistema de saúde que aguente tanta medicalização sem acompanhamento profissional.

O futuro da saúde está nas conexões: entre profissionais, entre saberes e, sobretudo, entre o cuidado e o cotidiano das pessoas.

A descentralização não é uma ideia nova, mas está mais atual do que nunca — e o farmacêutico clínico é o elo que faltava nessa rede.

(Colaboração de Luiz Assunção, Farmacêutico e Bioquímico – CRF 23.110-SP / RQE 12595-47 -pós-graduando em Gerontologia – IPGG-SP ).

Publicado na edição 10.971 de sábado a terça-feira, 29 de novembro a 2 de dezembro de 2025 – Ano 101