
Nos primórdios de Bebedouro, ainda no findar do século XIX, a municipalidade demonstrava preocupação com o embelezamento da cidade em formação, dando atenção especial ao denominado Jardim Público, sendo solicitado ao Instituto Agronômico de Campinas a remessa de plantas de várias espécies para o ajardinamento do local.
Na primeira década do século seguinte, em 1908, o Jornal de Bebedouro destacava: lembremos ao governo municipal a cuidar com interesse e afinco da arborização das praças desta cidade, a começar pelos largos da matriz, da cadeia e do mercado, que são os pulmões da cidade, os respiradouros oxygenados que, modificando os effeitos das temperaturas elevadas, offerecessem com embellezamento ornamental, a saúde e o refrigério de que carece a população condensada em certo e determinado perímetro. […] Entretanto, é preciso muito cuidado na arborização de uma cidade, pois a experiência, a preciosa mestra dos homens, tem demonstrado a inconveniência de certa arborização. Enfim, é preciso estudar e variar de silvicultura.
Entre as espécies utilizadas na arborização, o ingazeiro passou a ser visto em várias ruas e praças, com destaque para a Valêncio de Barros, onde se tornou marca registrada na paisagem. No entanto, apesar de sua exuberância, não resistiu às remodelações realizadas nas décadas seguintes, sendo que no início dos anos de 1950, na gestão do prefeito Pedro Paschoal, todos os ingazeiros da referida praça foram arrancados.
Continuamente, em 1953, ainda na mesma gestão, foi promulgada lei específica para a arborização das ruas da sede do município, que oferecessem condições próprias e técnicas para o plantio de árvores ornamentais e de sombreamento. No ano seguinte, conforme publicou a Gazeta de Bebedouro, a Prefeitura iniciaria a ação pelas ruas Campos Sales e Carlos Gomes (atual Vanor Junqueira Franco).
Nos anos seguintes, a Gazeta continuou informando sobre o plantio em outras ruas centrais, como Antônio Alves de Toledo, General Osório e Prudente de Moraes. Ao mesmo tempo, ano a ano, principalmente nas vésperas do dia da árvore, alertava sobre a necessária atenção à arborização e reflorestamento, tendo em vista a alteração do clima, o retardamento das chuvas e a consequente seca dos mananciais, conforme publicado em setembro de 1964, há mais de sessenta anos.
Ainda naquele ano, a Gazeta aplaudia a iniciativa do poder executivo em ampliar a arborização para as calçadas das ruas que ainda não haviam sido atendidas, cobrando também que o mesmo acontecesse nas calçadas laterais das avenidas Maria Dias, Quito Stamato e no prolongamento da Raul Furquim. Além disso, conclamava os moradores para que cuidassem das árvores plantadas em frente às suas residências, protegendo-as de eventuais atos de vandalismo.
Já no início do século atual, a mesma Gazeta que ao longo das décadas tanto destaque dera para a necessária arborização, anunciou a efetivação do projeto ambiental “Gazeta – Empresa Cidadã”, que se constituía no plantio de cerca de 200 mudas de ipê branco ao longo dos dois últimos quarteirões da avenida dr. Pedro Paschoal. A ação contou com a participação de funcionários, colunistas, colaboradores, convidados e escoteiros, além do apoio do então prefeito municipal Hélio de Almeida Bastos, sendo que as mudas foram disponibilizadas pelo Parque Ecológico.
Conforme noticiado, a escolha pelos ipês foi justificada por ser a árvore símbolo do Brasil, sendo aquela avenida um ponto central da cidade. As mudas plantadas em 10 de dezembro de 2005 tinham dois anos, sendo previsto que após dois anos poderiam dar a primeira florada. Passados vinte anos do plantio, o local tornou-se um dos mais bonitos da cidade e anualmente, a partir de meados do mês de agosto, os bebedourenses e visitantes deleitam-se com a beleza das flores, registrando-as em fotografias e filmes nas mais variadas perspectivas, cujos resultados são compartilhados nas diversas redes sociais.
Mais recentemente, entre as atividades comemorativas pela passagem do centenário da Gazeta, em junho de 2024, novamente os ipês tiveram destaque, sendo que desta vez cem mudas da árvore, com flores de diferentes cores, foram distribuídas para colaboradores e assinantes para que fossem plantadas em residências, escolas, calçadas e outros locais da cidade.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.951 de sábado a terça-feira, 13 a 16 de setembro de 2025 – Ano 101





