
Tenho participado de debates e reflexões sobre as mais diversas situações do cotidiano. Tentando sempre levar uma mensagem em busca de paz, alegria e felicidade, mesmo com as angústias, intempéries e obstáculos da vida.
Não raro, me deparo com essa questão crucial: o nosso futuro, o amanhã. Será que vamos deitar e acordar no dia seguinte? Ou nossa vida vai se romper naquele obscuro momento?
Vivemos em um mundo tão intenso que, muitas vezes, simplesmente nos esquecemos de viver. Vamos apenas “sobrevivendo”. Acreditando que temos a vida toda pela frente. E quando percebemos… estamos quase no final do expediente natural, na despedida desse tempo na terra.
Muitas pessoas passam a viver de verdade quando descobrem, por exemplo, uma doença terminal. Ou como sair de uma grave depressão.
Mas… o que é esse viver?
É fazer coisas simples, mas cheias de significado: ir à feira no final de semana, à praia, piquenique no parque, viajar, curtir um cinema, almoçar em família, rever pessoas que há muito tempo não visitamos, ter contato com a natureza.
Trabalhamos tanto — e muitas mulheres ainda enfrentam a jornada tripla, cuidando da casa, dos filhos e do trabalho — que acabamos nos esquecendo de cuidar da mente. Nos esquecemos de descansar, de sonhar. Criar expectativas, desejos, ambições.
Depois que meu filho faleceu, me dei conta do quanto a vida é frágil e da importância de vivê-la de forma leve, feliz e positiva — sem reclamar tanto daquilo que temos.
Existe uma história significativa que o Coronel Edson Ferrarini, que atua na recuperação ao alcoolismo e drogas, sempre gosta de citar como exemplo.
Certo dia, ele ajudou dois homens cegos a atravessarem a rua. Já na calçada, conversando com os dois, um deles disse que daria todo o dinheiro do mundo para enxergar por apenas uma hora.
O coronel então perguntou: “Você é feliz?”
O homem respondeu: “Sim”.
E ele explicou:
— Veja meu amigo, além de cego, ele também é surdo. Eu ainda consigo ouvir quando um carro se aproxima e, assim, não corro o risco de morrer atropelado.
Isso nos faz refletir a profundeza do diálogo.
Muitos de nós temos saúde, casa e família — enquanto tantas pessoas não têm nada disso e dariam tudo para possuir ao menos uma dessas três coisas.
Um dia, meu filho Diego me disse que era infeliz e que queria mudar de país. Eu respondi a ele:
— Não adianta mudar de país se você não mudar sua mente. Precisamos escolher ser felizes onde estamos, com o que temos hoje.
Problemas sempre vão existir. O que muda é a forma como encaramos a vida. Por isso, escolha ser feliz. Desacelere. Preserve sua vida. Não se coloque em situações de perigo.
E lembre-se de um simples ritual: Olhe-se no espelho todas as manhãs. E diga quanto a vida é importante para você e outras pessoas. Ligue para alguém que você ama, mande uma mensagem, abrace, beije e diga o quanto essa pessoa é especial. Para você, para ela mesma, para o mundo.
Afinal, viver é a essência da vida. E nunca será seu último dia. Sua última noite!!!
(Colaboração de Sandra Campos que perdeu, há dois anos, seu filho de 24 anos para o suicídio e tornou-se uma ativista pela vida com o projeto “Não te julgo, te ajudo!”. Um debate com a sociedade sobre os mais variados temas ligados ao sofrimento e o comportamento humano, Instagram: @sandracamposaaa/Whatsapp: (11) 94813-7799).
Publicado na edição 10.986, quarta, quinta e sexta-feira, 11, 12 e 13 de fevereiro de 2026 – Ano 101





