
“… E conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á.” – João 8: 32.
Julio Cesar Sampaio
Quando se disserta sobre liberdade, no sentido amplo e contextual acerca do conceito exclusivo de sociabilidade, podemos fazer uma ressalva da mesma, em similitude com o conceito – justiça. Ora, se “uma” liberdade ampla e irrestrita supõe (ainda) uma “utopia”, faz-se necessário aferirmos à mesma uma equidade de conceitos. Por equidade, a literatura filosófica (J. Rawls – Teoria da Justiça, 1971 -, especificamente) explicita que: “da mesma forma que cada pessoa deve decidir, através de uma análise racional, o que é que constitui o seu bem, isto é, o sistema de objetivos que lhe é racional prosseguir, também um conjunto de pessoas deve decidir, de uma vez por todas, o que é para elas considerado justo ou injusto. É a escolha que será feita por sujeitos racionais nesta situação hipotética em que todos beneficiam de igual liberdade – aceitando por agora que o problema colocado por escolha tem solução – que determina os princípios da justiça”. Baseado nesta explicitação de Rawls damos nossa elementar contextualização, por apontamentos: – uma “suposta” liberdade (de propostas públicas políticas) far-se-á pelo debate em torno das liberdades pelas aspirações humanas; uma liberdade de pensamento e de consciência; a liberdade da pessoa e as liberdades civis não devem ser sacrificadas à liberdade política, à liberdade de participar de modo igual na vida política. A questão é de Filosofia Política e sujeita a uma teoria do justo e da justiça.
Almejamos, assim, a todas as pessoas que sonham com uma carreira política pela (suposta) liberdade de boas propostas, a analisarem estas, pela concepção de justiça, ou seja, uma justiça imparcial, ainda que de forma pragmática. Não obstante, corroborarmos: ninguém é melhor que ninguém – equidade! Como diz o dito latino: “Non male sedit qui bonis adhaerit. – “Chega-te aos bons e será um deles”. Quando o pensador romano Sêneca asseverou: “A primeira vítima da falta de temperança é a própria liberdade”, podemos, assim, salientar (hipoteticamente) o que o mesmo (ainda, como uma mera suposição interpretativa de nossa parte), queria corroborar: no cerne da subjetividade humana, conforme a perspectiva definida pelo “desejo” do homem, a escolha, quando sobrepuja a razão emocional, engendra uma liberdade ardilosamente fugaz. Aproximar-se, em outros termos, do “desejo”, esse que nos escapa e que é, ao mesmo tempo, indestrutível, cria no intelecto uma forma pela sensação de invencibilidade e perde a razão quando participa de um movimento contagiante desses. Do pensamento vem o apego, do apego nasce o desejo, do desejo surge a raiva. A raiva aparece quando o desejo é frustrado por uma ou outra causa, da raiva vem o engano, do engano a falta de memória, pela falta de memória eis que surge a perda da razão, isto é, exemplifiquemos, analogicamente: uma pessoa pensa, voluntariamente, em algo material; logo, o desejo se perfaz atrelado à emoção! Caso esse desejo sobrepuja a necessidade desses “bens” materiais, supostamente sem obter “sucesso” pelo mesmo, assim, como necessário, tem o advento da irabilidade pelo ócio e o tédio “schopenhauerano”; tal ira inebria a razão. Conclusão: Sêneca poderia estar certo (pela forma indutiva aristotélica – silogismo), pois, a perda da qualidade racional, pelo comedimento, por meio de uma “liberdade ilusória” engendra uma emoção vitimizada, ou seja, às vezes desejamos uma emoção que, nos falta e, às vezes, o que nos falta é o desejo de nossa emoção… Será? E nas eleições, será assim? (…)
Para um homem “simples” (sem conotação jocosa, por favor!), sem cultura literária vigente, às vezes, “real” é sinônimo, ou até homônimo, de concreto, individual, material, físico – ao passo que o “abstrato”, o imaterial, o metafísico equivale, para ele, a irreal, fictício, quimérico. A criança não é intelectualizada, mas intelectualizável – ao passo que o filhote de qualquer irracional não é intelectualizado nem intelectualizável. Aquela, embora não possua o ato, possui a potência para o dom do intelecto. Entrementes, com efeito, ser inteligente, não necessariamente, é ser sábio, numa visão antropológica, atualmente. Não existe um só homem que não seja pelo menos potencialmente filosófico (philos + sophia = “amigos” da sabedoria). A antropologia filosófica não é, pois, como se vê uma ciência particular, como, por exemplo, a física e a química; mas é ciência universal, a ciência especificamente humana, a atividade humana por excelência. Ainda que necessitemos da ontologia e a metafísica (conceitos filosóficos) para corroborar um elementar exemplo, assim, aqui o faremos: ser de absoluta inconsciência é um ser nulo, irreal. Ser de consciência parcial é um ser finito. Ser de consciência total é um ser infinito, isto é, a Antropologia Filosófica (ciência do espírito) propõe eduzir do homem seu voluntário e inconsequente “esquecimento” (anónymos) dos tempos vigentes. Ser inteligente é apenas acumular informações, não obstante, ser sábio seria aferir ao discernimento toda a relevância… Eis o homo sapiens sapiens! Será que temos a sabedoria de que: sabemos que sabemos? E você, caro amigo eleitor, que amanhã dará ‘seu’ voto ao novo líder da nação, ‘sabe que sabe’ o que é um político em sua essência para o bem comum do Brasil? Boa reflexão em seu voto! Alea jacta est!
(Colaboração de Julio Cesar Sampaio, Licenciado em Filosofia com pós-graduação no ensino de filosofia).




