Em um mundo cada vez mais moldado pela transformação digital, muito se discute sobre as competências técnicas que profissionais de tecnologia devem dominar para se destacar. No entanto, à medida que a complexidade das soluções tecnológicas aumenta e a interação com diferentes departamentos e usuários torna-se mais crucial, a empatia surge como competência essencial. Embora, frequentemente, associada a áreas das ciências humanas, a empatia tem se mostrado um diferencial para todos os profissionais, inclusive de TI.

A empatia, como soft skill, vai muito além de simplesmente entender o que o outro está sentindo. Ela exige uma compreensão profunda das necessidades e desafios dos usuários, algo que pode transformar a forma como soluções tecnológicas são projetadas e implementadas. Em um cenário de colaboração constante, essa habilidade é vital para criar produtos e serviços mais eficazes, que não apenas atendam às demandas técnicas, mas também às expectativas humanas.

Pesquisas recentes, como a da Nielsen Norman Group, destacam que a empatia permite que os profissionais de tecnologia desenhem soluções centradas no usuário. Esse processo envolve o uso de ferramentas como o mapeamento de empatia, que ajuda as equipes a entenderem o contexto emocional e as frustrações dos usuários, promovendo uma abordagem mais inclusiva e inovadora no design e na execução dos projetos.

A ciência também reforça a importância da empatia. Estudos em neurociência mostram que a capacidade de se colocar no lugar do outro é uma habilidade desenvolvida em nosso cérebro, ativando regiões associadas à dor e às emoções. Isso sugere que a empatia não é apenas uma construção psicológica, mas também um fenômeno biológico que influencia a forma como lidamos com os dilemas morais e tomamos decisões complexas.

Em um cenário onde práticas manipuladoras, têm se tornado comuns no design de interfaces, a empatia surge como antídoto poderoso. Ela promove a compreensão das necessidades reais dos usuários e a criação de soluções que respeitem seus direitos e gerem confiança. Soluções centradas no usuário, ancoradas na empatia, não apenas atendem às demandas legais, mas também constroem relações de confiança duradouras com os consumidores. O respeito aos direitos dos usuários, especialmente no que diz respeito à privacidade e ao consentimento, deve ser parte integrante de qualquer solução digital.

A revolução digital trouxe consigo a necessidade de repensarmos o papel das soft skills no desenvolvimento de soluções tecnológicas. A empatia é uma necessidade urgente em um mundo impulsionado por tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial. A capacidade de entender as necessidades humanas e alinhar soluções tecnológicas a essas expectativas é o que permitirá a evolução saudável, de maneira ética, inclusiva e eficiente.

(Colaboração de Rodrigo Toler, advogado de Privacidade e Proteção de Dados no Opice Blum, Bruno Advogados, Mestre em Direito, Tecnologia e Desenvolvimento pelo IDP. Email: rodrigotoler@outlook.com).

Publicado na edição 10.883, de sábado a terça-feira, 26 a 29 de outubro de 2024 – Ano 100